Mais de 100 anos de história estarão expostos no “Sesi Bonecos do Mundo”, em BH. Reunindo mais de 150 bonecos, a exposição “Mamulengo: Patrimônio Imaterial Brasileiro” é um resgate não apenas do gênero teatral, mas, também, das peculiaridades do povo nordestino – berço mamulengueiro. A mostra é uma homenagem à arte do mamulengo e chega no sábado (11) – quarto dia do festival que tem início nesta terça-feira (7), com programação toda gratuita –, a partir das 16h30, na Praça da Estação.
 
A exposição foi concebida a partir do acervo da colecionadora Magda Modesto (em memória). Com curadoria da filha da titereira, a arquiteta, figurinista e cenógrafa Cecília Modesto, itens dos mestres mamulengueiros Chico Simões (DF), Valdeck de Garanhuns (radicado em SP), Zé Lopes (PE) e Zé de Vina (PE) completam a mostra.
 
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Trazendo personagens típicos do imaginário social, como o lampião, o delegado e o diabo, o mamulengo compila a história de um povo. “Há figuras que são comuns em todos os ‘brinquedos’ e cada mamulengueiro as representam de uma forma. Por isso, as pessoas vão poder identificar esses personagens segundo a visão de vários artistas”, destaca o produtor da mostra Rai Bento, ao dizer que esse é um dos únicos gêneros de teatro “genuinamente brasileiro”.

Comumente com um texto improvisado, a comédia é um dos principais recursos do mamulengo. Contudo, apesar de provocar risadas, muitas vezes, por traz há um conteúdo político-social. “Dizem que, antigamente, o mamulengo, no interior, era como uma TV e um segundo rádio. Então, quando as pessoas queriam saber das fofocas da cidade – como a respeito da filha do fulano que se ‘perdeu’ – ou fazer um protesto – já que o boneco ‘reclamava’ do coronel, do delegado, da polícia, da prostituta do local –, iam ver as apresentações”.
 
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De acordo com o produtor, todos os bonecos que serão exibidos – alguns de mais de 100 atrás – já fizeram, um dia, parte de uma “brincadeira”, como ele chama os espetáculos do estilo. “A forma com que as técnicas são usadas se organizam como brinquedo. Principalmente o mamulengo de Pernambuco, traz muitas piadas e ‘causos’. Eles brincam com o consciente cultural”, esclarece.

Além dos bonecos, a exposição conta com áudios de entrevistas feitas por Magda Modesto nas décadas de 70 e 80 com mestres mamulengueiros, e traz ainda os espetáculos “Corsário Inversos”, do grupo Mosaico Cultural, e “Mestres Mamulengueiros”, com Valdeck de Garanhuns, Zé De Vina e Duda da Boneca. 

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