Construído em 1980 e inaugurado dez anos depois, o Rainha da Sucata é um dos edifícios pós-modernos mais emblemáticos da capital mineira. Com uma fachada ímpar, revestida por placas metálicas simétricas, o prédio foi projetado por Éolo Maia e Sylvio de Podestá, estabelecendo um diálogo arquitetônico crítico com os demais edifícios do Circuito Cultural da Praça da Liberdade. 

A irreverência e o livre acesso ao edifício chamaram a atenção do músico Flávio Bertola, que em 2012, junto à banda Paz-me, criou o festival Som na Sucata. No mesmo ano, o evento realizou quatro edições, que levaram 25 grupos ao local. Em 2013, porém, o Rainha da Sucata entrou em reforma, sendo reaberto somente no ano passado. O fato possibilitou uma nova edição do festival, que acontece neste sábado (27). Além de Bertola e Paz-me, se apresentam Lugera, Slama e Evil Matchers. Os shows são gratuitos e acontecem no Teatro de Arena.

Para Bertola, o evento é uma oportunidade de ocupar o edifício, cuja localização favorece a formação de diferentes públicos. “Eu acho que aquele é um espaço extremamente privilegiado, principalmente pela sua localização. A praça é um lugar de transição, então muitas vezes uma pessoa que está passando por ali, mas não sabe do evento, escuta e entra para ver o que é”, afirma o músico, ressaltando que a produção do festival é realizada de maneira totalmente independente. 

“Nós, os próprios artistas, produzimos tudo. Alugamos o som, fazemos a divulgação, chamamos as bandas. Dividimos as tarefas entre nós e fazemos acontecer”, conta Bertola. “Foi-se o tempo em que o artista era tutelado por um empresário ou algo do tipo. Hoje, a gente não pode ficar dependendo de empresas nem do Estado”. 

Sobre a programação da quinta edição do Som na Sucata, Bertola conta que os nomes remetem aos primórdios do festival. “Como foi a volta do evento, eu entrei em contato com as bandas que tocaram na primeira edição. Mas apenas três delas estavam na ativa. A minha, a Paz-me e o Slama”, conta. “Então, para completar, a gente convidou o Lugera, que é uma banda que tem influência da música eletrônica e uma coisa bem teatral, e o Evi Matchers, que está trilhando o um caminho muito legal em BH”, completa.

Para o músico – cujo show da banda vai passear por seus dois discos autorais – a programação reflete a versatilidade do rock. “O rock abrange muitas influências diferentes. Cada banda tem suas as suas próprias características”, diz.

Serviço: Som na Sucata. Sábado (27), a partir das 13h, no Teatro de Arena do Edifício Rainha da Sucata (av. Bias Fortes, 50 – Lourdes). Gratuito.