Ícone da história da música, a “Nona Sinfonia” de Beethoven guarda estreita relação com a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. A peça foi a primeira a ser executada pela Orquestra, em sua estreia, no Grande Teatro do Palácio das Artes, em fevereiro de 2008. Uma década depois, a Filarmônica volta a apresentá-la num histórico concerto de celebração que acontece amanhã e domingo, na Sala Minas Gerais.

Sob a batuta do maestro Fabio Mechetti, a Filarmônica sobe ao palco com grande elenco de convidados: Gabriella Pace (soprano), Denise de Freitas (mezzo-soprano), Matheus Pompeu (tenor), Licio Bruno (baixo-barítono), Coro da Osesp (regência de Valentina Peleggi), e Concentus Musicum (regência de Iara Fricke Matte). Completam o programa o “Hino Nacional Brasileiro”, de Francisco Silva, e a “Suíte Vila Rica”, de Guarnieri.

Mechetti explica que a escolha dos solistas seguiu o formato do concerto de estreia. “É quase como uma duplicação do nosso primeiro concerto. Por isso, procurei repetir alguns solistas que estavam na ocasião, assim como o Coro da Osesp”, afirma o regente titular e diretor artístico da Filarmônica. “São todos solistas brasileiros, que já cantaram conosco várias vezes. Um grupo que dará ainda mais grandiosidade à ‘Nona Sinfonia’”, diz.

O maestro ressalta a importância simbólica da peça de Beethoven. “Além de artisticamente revolucionária, é uma peça que traz mensagens universais, de confraternização, irmandade, alegria e esperança”, ressalta. “Também faremos a Suíte Vila Rica, de Guarnieri, uma bela homenagem a Minas Gerais”.

Sobre os dez anos de história, Mechetti destaca a “excelência” como foco da Filarmônica. “É o mote que sempre perseguimos e que justifica a existência de uma orquestra desse nível. O retorno tem sido revelado pelo carinho e apoio do público, que a cada ano bate recordes de assinaturas”, afirma, lembrando que os ingressos para o concerto de dez anos estão esgotados. “O próprio conceito de Filarmônica, de amigos da música, fortalece o vínculo com o público. É um projeto construído com a sociedade”.

O maestro lembra, ainda, que o calendário de 2018 terá outros momentos marcantes. “Faremos importantes concertos de aniversário, como os de Bernestein, Debussy e Francisco Braga. Também continuaremos o ciclo de gravações das sinfonias de Mahler”, conta. “Outra novidade é que vamos participar de um projeto do Itamaraty, de divulgação de compositores brasileiros no exterior. Vai durar cinco anos e, a cada ano, gravaremos um compositor, sendo o primeiro deles Alberto Nepomuneno”, adianta Mechetti. 

Serviço: O concerto de celebração dos dez anos da Orquestra Filarmônica acontece amanhã, às 20h30, e domingo, às 19h, na Sala Minas Gerais (rua Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto). Os ingressos estão esgotados.