Os concertos que abrem o ano da Filarmônica de Minas Gerias, nesta semana, têm gostinho de comemoração. Será a décima temporada da Orquestra, que leva música clássica para um público diversificado.

Para abrir os trabalhos, nesta quinta e sexta-feira o programa traz o poema sinfônico “Festklänge”, do pianista húngaro Franz Liszt (1811-1886), e a “Sinfonia nº 5 em dó sustenido menor”, do maestro e compositor tcheco-austríaco Gustav Mahler (1860- 1911). “As sinfonias de Mahler são para uma orquestra o que as Olimpíadas são para um atleta. Explorá-las é um desafio que nos fortalece”, elucida o maestro Fabio Mechetti, diretor artístico e regente titular da Filarmônica de Minas Gerais.

A nova temporada conta com uma série de homenagens aos compositores Kodály (50 anos de morte), J. Stamitz (300 anos), Grofé (125 anos), Jorge Antunes (75 anos, ainda vivo) e outros. Além disso, o maestro destaca a programação da série “Fora de Série”, que será inteiramente dedicada ao Barroco, e abordará a criação musical desse período em diferentes países.

Já nas séries “Allegro”, “Vivace”, “Presto” e “Veloce”, a Filarmônica receberá importantes convidados, como o regente e violinista israelense Pinchas Zukerman, “que se apresentará conosco pela primeira vez”, frisa Mechetti. Outros estreantes junto à Filarmônica são o pianista tcheco Lukás Vondrácek e o americano Robert Bonfiglio.

Um cardápio vasto para os amantes da música clássica, que terão a oportunidade de rever os brasileiros Nelson Freire e Antonio Meneses.

Trajetória
Para celebrar sua década temporada, a Filarmônica inicia uma série de gravações. “Esperamos que isso nos leve a ser a primeira orquestra brasileira a registrar todo o ciclo de suas dez sinfonias”, anseia Mechetti.

Nessa trajetória, o maestro destaca um momento: “O concerto inaugural da Sala Minas Gerais. A Sala foi a coroação de um projeto extremamente bem-sucedido e uma aposta naquilo que a Filarmônica ainda pode vir a ser”, atesta.

Segundo o maestro, Belo Horizonte se posiciona hoje como a “terceira via” cultural no Brasil, quebrando radicalmente a concentração exercida pelo eixo Rio-São Paulo. “Tenho certeza de que a Filarmônica foi instrumento para que isso acontecesse, mas é igualmente gratificante ver que existe uma vida musical muito rica hoje em BH”, comemora. 

Há alguns anos era comum mineiros viajarem para assistir concertos importantes. “Hoje não é anormal vermos paulistas e cariocas vindo a BH para se nutrirem de cultura”, garante. 

Para ele, a Sala Minas Gerais posicionou a cidade e o estado no circuito cultural nacional e internacional. “Reconhecida como uma das salas de concerto mais importantes na América Latina”, finaliza.

Serviço: Filarmônica de Minas Gerais, na Sala Minas Gerais (rua Tenente Brito Melo, 1090, Barro Preto). Nesta quinta e sexta, às 20h30. Ingressos de R$ 20 a R$ 105