Será possível amar sem se odiar? A pergunta sintetiza o filme “Beatriz”, dirigido pelo diretor montes-clarense Alberto Graça e em cartaz a partir de hoje nos cinemas. A discussão sobre o fim do amor romântico está no centro da história, que mostra um casal que parte para Portugal e passa a viver uma grande ficção – literalmente – na relação.

O marido, vivido por Sergio Guizé, é um escritor em crise criativa que, por sugestão do editor espanhol, começa a pôr no papel o dia-a-dia com a esposa e advogada (Marjorie Estiano). Para incrementar mais a história, eles começam a fantasiar a própria relação, com desdobramentos imprevisíveis.

“A ideia de um amor romântico, da busca do par perfeito, vem do século XI. O filme critica um pouco essa ideia ocidental, de falta de percepção sobre o outro. E é por isso que os personagens chegam a essa situação-limite”, registra Graça, que há três anos aguardava o momento de lançar “Beatriz” em circuito comercial, após problemas administrativos da distribuidora RioFilme.

Manipulação

Graça salienta que a personagem de Marjorie mergulha de cabeça no romance do marido, com ambos se tornando prisioneiros de seus personagens. “O que está em discussão é o jogo de manipulação. Aparentemente, é ela quem está sendo manipulada pelo escritor. Mas é Beatriz quem conduz tudo em função de um projeto de família”, adianta o cineasta.

O hiato entre a finalização e o lançamento até ajudou o filme, tornando-o mais atual, já que a busca por uma reconstrução de vida em terras estrangeiras vem sendo cada vez maior. Além de Marjorie e Guizé, o elenco tem ainda vários nomes portugueses. “Eles receberam um trabalho especial, de meloteia, para tirar um pouco do tom engraçado que o português tem para nós. Fomos tirando palavras para que o espectador pudesse entender melhor”.