“Bebete, quero que você veja do que sou capaz”. A fala de Elza Soares para a cineasta mineira Elizabeth Martins, depois de as duas completarem anos de proximidade em torno de um filme sobre a mítica cantora brasileira, de alguma maneira sintetiza com precisão a proposta de “My Name Is Now, Elza Soares”, que estreia em salas de cinema de BH e de outras capitais do país nesta quinta- feira (01).

“É um filme sobre dar a volta por cima”, confirma a diretora. “Tomo Elza Soares como uma figura que carrega impregnada em si estes signos que são próprios da cultura brasileira– a mulher, o negro, a periferia, a extrema pobreza– e da capacidade do povo de se reinventar, através da criatividade”.

Como o filme captura Elza em um momento de transição de carreira, antes dos últimos discos que a apresentaram para uma nova geração, Martins comprovou a frase da protagonista.

“Ela é uma fênix que sobrevive a isso tudo. Fiquei para ver esse novo auge dela: ela saiu fortalecida da nau que estava vivendo”.

A citação ao pássaro que ressurge das cinzas não é gratuita, já que o tom alegórico é marca da obra: Martins filma, por meio de Elza, a evidência de um Brasil possível, apesar de adversidades mil. Nesta direção, trata-se de um documentário menos biográfico e mais analítico, um exame da nação a partir de uma deusa de nossa arte. “O filme se estabelece como fluxo, não é um documentário de perguntas e respostas. Ele trabalha esse imaginário nacional e encontra algumas respostas na biografia dela, mulher de vivência rica e atravessada por vários altos e baixos, mas sempre capaz de uma volta por cima”, diz a diretora.

Não à toa, é a própria Elza que batiza o filme. “Ela é ótima em jargões e depois de muitas conversas, pedi para resumir tudo em uma frase”, lembra a diretora. “Logo na abertura expomos isso, com ela sugerindo alguns nomes. Ficamos com ‘my name is now’, (meu nome é agora) que é uma frase que ela usa há tempos. Elza não quer falar do passado ou do futuro e o filme transita naquele agora dela, é um espelho-câmera de seus momentos”.

Projeto

O filme é também o retrato de uma relação iniciada há mais de uma década. Ainda repórter da Rede Minas, Martins viu, depois de entrevistar Elza em 2008, o personagem-síntese para investir no primeiro longa da carreira cinematográfica.

“Ela se encaixava no tipo de personagem que queria para falar de coisas que vinha fazendo nos meus curtas anteriores”, lembra. “Uma identidade brasileira. Como a própria Elza diz, fui abduzida por ela”, completa.

“My Name is Now, Elza Soares” tem estreia nesta quinta-feira em salas de cinema de sete capitais brasileiras. Em Belo Horizonte, o filme estará no Cine Belas Artes (rua Gonçalves Dias, 1.581 – Lourdes)

Assista ao trailer: