Palavra que só que existe no vocabulário português, saudade pode ganhar várias relações e significados. O documentário “Saudade”dirigido pelo pernambucano Paulo Caldas, em cartaz nos cinemas, percorre países como Brasil, Portugal, Angola e Cabo Verde para entender os muitos contextos que o termo pode ser inserido desde capturar um instante de melancolia até ser um catalisador de felicidade.
 
Para alguns artistas ouvidos na produção, ela é fundamental para despertar em nós a necessidade de viver e aproveitar o tempo que resta, mesmo quando está relacionada à perda de alguém. Assim, um dos aspectos mais interessantes do filme é trabalhar uma palavra em torno de sentidos tão opostos, como distância e proximidade, leveza e fardo – principalmente histórico.
 
A origem da “saudade” está ligada às grandes navegações marítimas, com a concepção de um povo português que se tornou essencialmente migrante, explorando vários territórios do além-mar. Caldas assume essa posição de deslocamento constante, saltando de país em país, personagem em personagem, para criar uma rota própria, como se saudade fosse um lugar a ser conhecido.
 
O espectador pode se identificar mais com uma ou outra definição ou entrevistado, mas não ficará menos encantado com as possibilidades que uma palavra de sete letras, genuinamente portuguesa, pode significar, fazendo dela a grande protagonista. 
 
Filmes com tema tão amplo são difíceis de se desenvolver, mas Caldas nos leva a sair do cinema deleitados com tal conhecimento. Nos remete, por exemplo, a “Janela da Alma”, que traz várias abordagens sobre a sensação de perda de visão, buscando entender menos o mecanismo de ausência e mais o que ela pode oferecer de singular, numa abordagem sensorial. Aspecto que é ampliado em “Saudade” com cenas líricas, a mais bonita delas mostrando um barco encalhado na praia.