Os mais recentes filmes sobre os bastidores da coroa inglesa representaram uma forma de questionar o poder monocrático, exibindo os desvarios de quem estava no trono. No caso das rainhas e princesas, também evidenciaram a pressão sofrida por elas numa sociedade extremamente machista. 

“A Favorita”, em cartaz nos cinemas, traz um olhar diferente. Não há qualquer sinal de fraqueza ou disputas de sexo no registro da história de Anne, a primeira mulher a comandar o Reino Unido, de 1702 a 1714.

Com 10 indicações ao Oscar, incluindo melhor filme, o longa-metragem tem a seu favor um inteligente e irônico jogo de inversão, em que os homens, além de ganharem papel secundário, são vistos como tolos e pouco decisivos. 

A trama se circunscreve na relação de Anne com outras duas mulheres que concorrem à preferência da rainha, que tanto pode ser política como sexual. Há uma sucessão de trapaças, especialmente de Abigail (Emma Stone, no melhor papel da carreira) para tirar Sarah (Rachel Weisz) do caminho.

Não é somente Abigail e Sarah que se beneficiam dos privilégios da rainha (Olivia Colman), já que Anne, mostrada como uma figura carente, evidencia prazer neste triângulo amoroso. Apesar de elas medirem forças, “A Favorita” mostra uma complementariedade a partir da seriedade e necessidade de controle (Sarah) e da liberdade e mudança (Abigail). Para quem conhece a história inglesa, essa dualidade está no cerne do modelo bipartidário. E Anne, apesar de relegada historicamente, teve papel fundamental no seu desenvolvimento.

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