Ao abordar a pressão física e psicológica dos atletas por resultados que podem representar apenas um décimo de segundo a menos, após extenuantes treinamentos, o filme francês “Slalom – Até o Limite”, em cartaz nos cinemas do país, nos chama a atenção pela forma como desenvolve a sua narrativa.

Chega um determinado momento em que o roteiro parece apontar para um grande impasse na trajetória da jovem esquiadora Liz Lopez (Noée Abita), à beira da explosão emocional, quase colocando a perder tudo o que conquistou durante o ciclo de quatro anos para a disputa dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Entre os caminhos que o filme de Charlène Favere pode tomar estão a denúncia, em relação aos métodos do treinador, e o colapso, que parecem andar juntos ao acompanharmos a maneira como a esportista mistura sentimentos e prioridades, encerrando-se numa grande bolha em que vida particular e profissional se entrelaçam.

O segredo para a compreensão da trama é a própria pista de esqui, em que se controla a velocidade, indo para a esquerda e para a direita, mas sempre seguindo em frente. O ponto de partida é a chegada de Liz, de 15 anos, numa escola de slalom, em que os participantes têm que passar por uma série de pórticos no menor tempo possível.

Ela está sozinha, já que os pais são separados e a mãe trabalha em outra cidade, num momento de transição pela qual passa o corpo. As descobertas se dão dentro desse ambiente de muita pressão. É quando percebemos o paralelo entre os anseios de vida e o que se passa na pista, como o par de esquis que a sustenta nas competições.

O filme faz do trajeto entre a largada e a linha de chegada do slalom o retrato do percurso de sua protagonista, numa grande descida em direção ao risco, sujeito a todo tipo de obstáculo. O importante é atravessar cada um deles para, no dia seguinte, começar tudo novamente. O final de “Slalom” ocorre justamente nessa nova subida.

A personagem está sempre olhando para a montanha de neve, sólida e impassível. Essa imagem é muito representativa no filme de Charlène. Ela não quer uma vítima, apesar de todos os abusos que Lyz sofre. Quer encontrar o que há de mais consistente na personalidade dela, sintetizada numa palavra (“não”) que pode abrir várias perspectivas.

arte

Clique para ampliar