"Modo Avião” é o primeiro fruto da parceria da atriz Larissa Manoela com a Netflix. O filme será disponibilizado amanhã aos assinantes e aponta para o crescimento do investimento da plataforma no mercado audiovisual brasileiro, após a realização de séries como “O Mecanismo”, “3%” e “Irmandade”.

O formato não é muito diferente de outros longa-metragens já protagonizados pela Maria Joaquina de “Carrossel”, apostando em jovens que estão dando os primeiros passos no mundo adulto, com conflitos que são divididos ou mediados pelos pais – mote de “Meus Quinze Anos” e “Fala Sério, Mãe!”.

Apesar de o público-alvo ser o mesmo (o infantojuvenil), as produções anteriores conseguiam dialogar com outras faixas etárias – “Meus Quinze Anos” tem toques dramáticos, mostrando uma menina com problemas de adaptação na escola; e “Fala Sério, Mãe!” dá igual espaço para os dilemas da mãe, que não sabe lidar com a independência da filha.

Dirigido por César Rodrigues, “Modo Avião” é mais despretensioso, com a história exibindo desdobramentos facilmente reconhecíveis. Remete, por exemplo, ao recente “Gaby Estrella, o Filme” ao levar a personagem central para o interior, na casa dos avós, e abordar os problemas acarretados pela exposição de sua vida privada na internet.

Larissa vive uma influencer que não larga mão do celular, registrando tudo o que faz desde o instante que acorda. Com muitos seguidores, ela acaba sendo usada por uma estilista para manipular a opinião pública e aumentar o ibope da marca de roupas. Um tema, por sinal, cada vez mais atual.

Após ela sofrer vários acidentes por estar usando o telefone enquanto dirige, os pais resolvem mandá-la para a casa do avô, com quem tem pouco relacionamento. O interior surge como aquele lugar idealizado, onde antigos valores são preservados – principalmente, relações menos superficiais.

A primeira parte, como não poderia deixar de ser, foca na difícil convivência com o avô e na abstinência forçada de celular. O problema aqui não está no argumento, mas na maneira como o filme fecha mal as situações, pondo um pé no freio quando precisaria resolver mais rapidamente e acelerando quando a narrativa pede mais vagar.

A falta de timing prejudica bastante o tremendão Erasmo Carlos, no papel do avô, que parece perdido em várias cenas. Neste sentido, quem mais se sobressai são os personagens de Catiuscia Canoro e Phellyx, os vilões de “Modo Avião”, devido à intimidade deles com o humor, ingrediente que poderia ser mais bem aproveitado no filme.