Filme mostra a visão russa sobre o acidente nuclear em Chernobyl

Paulo Henrique Silva
phenrique@hojeemdia.com.br
23/11/2021 às 13:19.
Atualizado em 05/12/2021 às 06:18
 (PARIS/DIVULGAÇÃO)

(PARIS/DIVULGAÇÃO)

Em cartaz nos cinemas, “Chernobyl: O Filme” é uma obra sobre separações. No campo político, vemos uma União Soviética em transformação, com o rock e os filmes de “Rambo” e Jackie Chan chegando à população. 

No campo individual, Alexei conhece o seu filho após dez anos, quando está para se transferir de cidade. Em meio a estas mudanças, está a usina nuclear de Chernobyl, protagonista de um trágico acidente ocorrido em 1986.

A explosão em um dos reatores, que é considerada, até hoje, o maior desastre nuclear da história, aponta para a necessidade de um outro país, já que aquele morria a olhos vistos pela burocratização e pelos símbolos já ultrapassados. 

Essa União Soviética aparece na forma de autoridades quase sem nome – generais da velha guarda – que põem vários homens em sacrifício para esconder e minimizar os erros, além de buscarem evitar uma catástrofe maior.

(Atenção: os trechos a seguir contêm spoilers)

É na figura do bombeiro Alexey (Danila Kozlovsky, também diretor do filme) que enxergamos a maior mudança. Ele é levado a alterar os seus planos para salvar o filho que acabara de conhecer, como se ali pagasse uma dívida.

Metaforicamente, Alexey representa o desejo urgente de movimento, mesmo sem saber o resultado que essa nova União Soviética – depois esfacelada em vários países que pediram sua independência – poderia gerar no futuro. 

Essa abordagem é o que de melhor podemos extrair de “Chernobyl”. Há cenas fortes e bem filmadas derivadas da explosão do reator, mas elas se perdem em meio a um roteiro frágil, especialmente no desenvolvimento de Alexey.

Kozlovsky exibe uma certa dificuldade em combinar o fator histórico – o filme não se preocupa muito em oferecer detalhes sobre o incidente – com a jornada do herói, mostrada com alguns tons acima do desejável.

Há cenas que poderiam ser costuradas com maior delicadeza, como a apresentação do filho a Alexey, determinantes para estabelecer a empatia do espectador. Até porque o bombeiro não é baseado num personagem real.

Os instantes mais dramáticos de “Chernobyl” surgem a partir da revelação da missão suicida que o bombeiro e outros agentes recebem – o objetivo é drenar a água radioativa e em alta temperatura do reservatório, com poucas chances de voltarem com vida.

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