Um mês inteiro numa ilha sueca, cujo acesso só podia ser feito por meio de um navio quebra-gelo. O lugar, por sinal, não dispunha de recursos como eletricidade, telefone ou água encanada.

“Tínhamos que esquentar a água do mar para beber”, recorda Fernanda Lippi, diretora e atriz do longa-metragem “Onde o Mar Descansa”, com estreia na próxima semana, em Belo Horizonte.

Tanto sacrifício, como filmar nas florestas do país nórdico sob temperaturas nada agradáveis, abaixo de 10 graus centígrados, ajudou no resultado dessa produção anglo-mineira, assinada também por André Semenza, que chega ao Brasil na esteira de uma bem-sucedida carreira europeia, onde ganhou prêmios em festivais e teve “casa lotada” em vários cinemas.

Filme 'Quando o mar descansa' mistura dança e poesia em história homoafetiva

A coreógrafa Fernanda Luppi, que também assina a direção, faz par com Lívia Rangel, bailarina também oriunda de Belo Horizonte, na trama baseada em poema de Swinburne

André e Fernanda estão à frente das companhias Maverick Motion e Zikzira Teatro Físico, respectivamente, e foram responsáveis pelo primeiro longa de dança brasileiro, “As Cinzas de Deus”, lançado em 2003.

Com uma história que trabalha um romance homoafetivo entre duas mulheres no século 19, o filme foi inspirado principalmente na poesia do inglês Charles Algernon Swinburne.

Sueco sem entender

“Em um de seus poemas, ele destaca um amor lésbico de maneira delicada. No filme, duas mulheres latino-americanas vão para a Europa para poderem viver seu amor.

Em nossas pesquisas, percebemos que isso era muito comum no século 19”, salienta Fernanda, que precisou “decorar” o sueco para fazer suas falas.

“Não entendia o que estava sendo falado, o que me fez distanciar da interpretação”, afirma.

Filme 'Quando o mar descansa' mistura dança e poesia em história homoafetiva

Para viver seu amor, casal de latino-americanas do século 19 resolve morar num local ermo da Suécia

Apesar de ser um filme de feição independente, “Onde o Mar Descansa” ganhou visibilidade muito por conta da participação do designer de som Glenn Freemantle, ganhador do Oscar da categoria por “Gravidade”, em 2014.

“Ele é um técnico que trabalhou nos primeiros filmes de Danny Boyle e que veste a camisa dos independentes, dedicando-se muito ao nosso longa”.

Por ter sido feita com poucos recursos, a produção pode ser considerada um sucesso de bilheteria, tendo lotado muitas das sessões das 12 salas onde foi lançado, na Inglaterra.

“O filme atraiu tanto gente da literatura como aqueles que gostam da época vitoriana, além dos apreciadores de música. Houve casos ainda de grupos que viram o mesmo título em salas diferentes”, comemora Fernanda.