Tom Hardy é, com certeza, a escolha perfeita para viver Venom, mais um personagem da Marvel a saltar para a telona. A característica loser e rebelde cunhada em filmes como “O Regresso” e “Mad Max: Estrada da Fúria” cai muito bem ao jornalista Edie Brock, que perde o emprego e ganha de presente um ser de outro mundo, que passa a coabitar o seu corpo.
 
Mas, sozinho, Hardy não consegue segurar um filme em que, pelo universo expandido apresentado pela Marvel, carece dessa relação, especialmente com o Homem-Aranha, o seu arquirrival. Para quem acompanha história em quadrinhos, Venom é um dos grandes vilões da editora, um detalhe que, a não ser pela cena final, é pouco representativo no enredo.
 
O que nos levará, na continuação, a uma virada de 180 graus do personagem, primeiramente apresentado como herói atípico. Um dos problemas do roteiro é o receio em tornar o protagonista mais sombrio e violento. Nas HQs, ele é um devorador de cabeças. No filme, esse ímpeto é transformado numa longa piada, que serve de pacto entre o humano e o alien. 
 
Em nenhum momento, “Venom” chega a ser assustador, muito menos será lembrado pelas cenas de ação. E o humor negro é usado tão desbragadamente que até o sarcástico Tony Stark ( Homem de Ferro) ficaria ruborizado. A necessidade de balancear o lado <CF36>dark</CF> com risadinhas empobrece muito um personagem tão interessante.
 
O filme acabou por diminuir bastante a potencialidade do herói/vilão que, originalmente, vivia o desejo de vingança após o Homem-Aranha desmascarar uma reportagem dele; passando a pensar cotidianamente em suicídio até que o Venom cai sobre ele e, ao melhor estilo Stan Lee (criador de boa parte da galeria Marvel), tem os sentimentos intensificados.
 
O segundo filme será um desmentido do primeiro, em que surge um homem amoroso e contra a impunidade? Como enfatizar o lado mentiroso compulsivo de Brock? Não há elementos em “Venom” que sustentam tamanha mudança. E o mais provável é que aconteça um embate, como visto entre Batman e Superman.
 
O verdadeiro vilão de “Venom” é uma cópia de Norman Osborn, o cientista e dono de uma grande corporação que quer melhorar a raça humana. Porém, pouco amedrontador em relação àquele que se transformaria no sinistro Duende Verde. 
 
Até o simbionte sucumbe diante da ideia em se fazer uma discussão “doméstica” sobre quem manda no corpo. Mais do que qualquer outro filme da Marvel, “Venom” nos lembra uma comédia dos anos 80 chamada “Um Espírito Baixou em Mim”, em que a graça está em ver Steve Martin e Lily Tomlin brigando pelo controle do corpo.