Com recursos insuficientes para manter uma programação contínua em 2017, o Cine 104 interrompeu as suas atividades em dezembro, devendo retornar com um perfil diferente. Antes calcado em filmes de circuito, o espaço poderá se tornar uma espécie de cineclube.
 
O primeiro resultado dessa mudança é a saída do coordenador Daniel Queiroz, que ficou à frente do espaço por quatro anos. Foi ele quem delineou as características do cinema, que só tem similar, em Belo Horizonte, no Cine Belas Artes, dedicando-se ao lançamento de filmes de arte. 
 
“Fica agora um espaço vago, pois até mesmo o Belas Artes é um pouco limitado, em relação a filmes ousados, de resposta de público mais complicada. Eles têm uma programação qualificada, mas é uma sala ainda mais comercial que a nossa, com necessidade de ter lucro”, lamenta Daniel.
 
Como o 104 era mantido por meio de recursos da Lei Rouanet, a programação estava mais preocupada “com a qualidade, nunca passando um filme qualquer para ter aumento de espectadores. Nosso interesse sempre foi receber filmes importantes que não tinham espaço”, pontua.
 
Muitos filmes (cerca de 50 eram lançados comercialmente por ano) só chegaram às telas da capital devido ao Cine 104. “Nosso desafio era atuar como uma sala de circuito, renovando a programação a cada semana, de perfil comercial, mas sem ser comercial”.
 
Projetos
Por conta dessas escolhas, a média de público da sala, localizada na Praça Ruy Barbosa, na região central, era de dez pessoas por sessão. “Já tínhamos feito o diagnóstico lá atrás, sobre a necessidade de fazer eventos, sessões especiais que mobilizassem mais público”, assinala.
 
Vários projetos nesse sentido foram criados, como encontros com diretores, atraindo para a cidade nomes como André Tonacci, Helena Ignez, Maria Augusta Ramos e Adirley Queirós. Mas a localidade, considerada perigosa e de difícil acesso, também foi um empecilho.
 
“Já aconteceu de um mesmo filme ser exibido no Belas Artes, no mesmo horário, e lá ter três vezes mais público que o 104, mesmo o ingresso deles sendo mais caro. É um sinal claro de que a localização tinha a sua influência também”, pondera.