A diretoria da Fundação Municipal de Cultura apresentou na manhã desta quarta-feira (14) os novos curadores do Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte. O trio que entra em cena é formado por Diego Bagagal, Eduardo Moreira e Walmir José. Eles substituem Jefferson da Fonseca e Geraldo Peninha. 
 
A nova equipe inicia suas funções ainda este mês. O ator, dramaturgo e diretor, Diego Bagagal segue, dentro das próximas semanas, para Londres onde vai acompanhar um festival de teatro, além de pesquisar sobre grupos locais. “É um festival de teatro independente, portanto é uma oportunidade de ampliar o olhar sobre o que é produzido fora. E não se ater ao maestrein”, comenta Bagagal. 
 
Tanta antecedência no planejamento da 13ª edição, prevista para o segundo semestre de 2016, tem uma explicação. “Quanto maior o planejamento melhores são os resultados e menores os custos”, afirma presidente da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas Oliveira, que diz ter aprendido a lição na edição passada.
 
O novo time de curadores, todos da área de teatro mas com linhas de pesquisa distintas, deixa claro a preocupação do festival em se tornar plural e atingir todos os tipos de público. Uma linha que o evento tentou seguir na edição de 2014. “São cabeças pensantes diferentes, e isto vai trazer uma diversidade para o debate sobre o FIT, e resultar em um trabalho plural”, defende Cássio Pinheiro que está à frente da Diretoria das Artes Cênicas e da Música da Fundação Municipal de Cultura.
 
Quanto aos recursos, o presidente da FMC é enfático. “O FIT 2016 está garantido”. São R$ 5,8 milhões disponibilizados pela Prefeitura da cidade. “Este recurso já está em caixa, assinando e empenhado”, afirma Leônidas. Além disso parcerias colaborativas com outros países como Espanha, Alemanha e Uruguai, foram firmadas por meio do Intercena, uma plataforma de internacionalização das artes lançada na edição passada. A extensão do programa a outros países está sendo negociada.
 
A proposta de descentralização das apresentações e a formação de público deve guiar os trabalhos de curadoria. “Queremos trazer o público não iniciado em artes para o teatro. E esse é o desafio dos novos curadores”, elucida Leônidas.
 
Para nortear o trabalho do trio, que ainda não iniciou conversas sobre os rumos a serem tomados, o FIT vai promover reuniões públicas com a classe artística e a cidade para ouvir sugestões e debater saídas. A primeira reunião já tem data marcada, dia 3/2, e deve acontecer no teatro Marilia ou na sede da Fundação Municipal de Cultura. “Essas reuniões serão pontuais para definirmos a linha que iremos seguir, além de ampliar o debate e trazer a população para dentro do festival”, acredita o ator e diretor, Eduardo Moreira. 
 
A edição de 2016 vai contar com mais dois espaços para apresentações, pois será inaugurado, ainda este ano, o Palco da Diversidade, com capacidade para 3 mil pessoas, que vai funcionar onde era a escola Imaco, no Parque Municipal. E o Teatro Raul Belém Machado, no bairro Alípio de Mello, com espaços para 250 pessoas (fechado) e 3 mil pessoas (aberto), está previsto para o próximo ano. “Isso reforça iniciativa do festival de ocupação dos espaços públicos”, diz Leônidas. 
 
Conheça os novos curadores do FIT-BH 2016
 
Diego Bagagal 
 
Ator, dramaturgo e diretor. Fundador do grupo|plataforma de criação MADAME TEATRO, que visa construir diálogos multiculturais e interdisciplinares nas artes cênicas. Graduado em ‘Comunicação Social’ e pós-graduado em ‘Creating Theatre and Performance’ de pedagogia Jacques Lecoq pela ‘London International School of Performing Arts’ (LISPA). Dentro dos seus diálogos internacionais trabalhou com renomadas companhias e instituições ligadas ao teatro contemporâneo, como ‘Jerzy Grotowski Institute’, Polônia; a ‘Cia Instabili Vaganti’, Itália; ‘Royal Shakespeare Company’, Inglaterra’; e ‘AKT-ZENT/UNESCO’, na Alemanha. Participou da performance ‘512 Hours’, mais recente trabalho da artista sérvia Marina Abramovic, criadora do renomado ‘The Artist is Present’. A performance aconteceu no mês de julho de 2015 no Serpentine Galleries, em Londres. Na edição de 2014 do Festival Internacional de Teatro, Palco & Rua de Belo Horizonte, foi diretor do Blitz-Mob, importante intervenção artística de mobilização e divulgação do FIT-BH, realizada em todas as regionais da cidade.
 
Walmir José 
 
Dramaturgo, professor, diretor teatral e ator. Primeiro Coordenador do Curso de Teatro do CEFAR – Centro de Formação Artística da Fundação Clóvis Salgado | Palácio das Artes (1987-1998) e da Escola de Teatro da UFOP – Universidade Federal de Ouro Preto (1993-2007). Dirigiu atuou e escreveu vários espetáculos em Belo Horizonte, recebendo prêmios no campo da Literatura e do Teatro. Atualmente é Coordenador da Área de Teatro e Circo da Escola Livre de Artes Arena da Cultura, cargo que exerce desde 2013.
 
Eduardo Moreira
 
Ator e diretor, Eduardo Moreira é um dos fundadores do Grupo Galpão. Participou como ator e diretor de todos os 21 espetáculos produzidos nos 32 anos de existência do grupo. Como diretor já dirigiu espetáculos em parceria com grupos como o "Dell'Arte" da Califórnia (EUA), "Clowns de Shakespeare" de Natal (RN), "Teatro da Cidade" de São José dos Campos (SP), "Maria Cutia" de BHZ (MG), "Grupontapé" de Uberlândia (MG), além de montar espetáculos no Galpão Cine Horto, espaço cultural do Grupo Galpão. Participou como ator de uma série de filmes nacionais. Esteve ativamente presente na concepção e na execução do FESTIN-BH, festival que, no começo da década de noventa, daria origem ao Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte, FIT-BH. Como ator participou de várias edições do festival com os espetáculos do Galpão.