O movimento hip hop é formado por quatro elementos: MC, DJ, grafite e break dance. De 2007 para cá, com o advento do Duelo de MCs, as batalhas de freestyle jogaram luz sobre rimadores e disc-jóqueis de Belo Horizonte, que entrou de vez no mapa do rap nacional. O grafite também já é referendado na cidade, com grandes nomes como DMS, que no fim do ano passado enfeitou a varanda da Sapucaí com uma das pinturas do festival Cura. Mas que espaço ocupam as danças urbanas no contexto de BH?

Foi pensando nisso que, desde 2015, o Palco Hip Hop decidiu focar esforços na dança. Realizado desde 2011, o evento chega a mais uma edição neste fim de semana, sábado e domingo, com uma programação que traz apresentações artísticas e atividades de formação, como palestras debates e workshops. O evento se desdobra em quatro momentos, dividindo ações entre a região central e a periferia de BH, além de duas cidades da Região Metropolitana. 

Integrante da Família de Rua (FDR) e um dos organizadores do Palco Hip Hop, Pedro Valentim explica que essa é a maior edição do festival até hoje. “A programação começa no Sesc Palladium e em outros dois espaços, o Cafuá e a sede do Grupo Cultura do Guetto. Teremos apresentações musicais e de dança, batalhas, uma roda livre de dança no foyer do Palladium, além de palestras e bate-papos”, afirma, ressaltando que o festival volta nos dias 17, 18 e 19, com ações em Vespasiano, Ibirité e no Barreiro. 

Além de duas batalhas de dança – uma aberta a todos os estilos e outra focada no breaking – o evento contará com a presença de artistas renomados da área. “Pela primeira vez, trazemos nomes de fora do Brasil. No domingo, vamos ter as apresentações de Lasseindra, francesa icônica para a cena do vogue, e de Storm, dançarino alemão que é um dos mais importantes do mundo do breaking”, afirma Valentim. “Também priorizamos na curadoria a participação de artistas locais, de diferentes gerações e trajetórias, e o equilíbrio de gêneros”, completa.

Ele destaca, também, a palestra “Acessibilidade nas danças da Cultura Hip Hop”, realizada pelos dançarinos Perninha e Samuka, ambos portadores de necessidades especiais. “São figuras que representam o Brasil pelo mundo inteiro e que trazem esse debate importante, sobre o lugar da acessibilidade nas danças urbanas”, diz, sublinhando a necessidade de potencializar a cena na capital. “BH tem crews tradicionais de breaking, que resistem há anos, mas ainda é uma cena que se renova pouco. Então, é importante criar novas possibilidades e diálogos para potencializar esse lugar”, finaliza.

Serviço: Palco Hip Hop Danças Urbanas 2018. Sábado (3) e domingo (4), no Sesc Palladium e  em outros espaços de Belo Horizonte. A programação completa pode ser conferida na página www.facebook.com/palcohiphop.