Inquieto diante da sensação de angústia e impotência provocados pelo isolamento social para combater o novo coronavírus, o designer Sam Profeta decidiu empregar seu ofício na ajuda às vítimas da Covid-19.

Formado pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), o designer mineiro de 36 anos resolveu utilizar seu conhecimento da área profissional para conduzir um projeto colaborativo com outros profissionais da área. 

O Covidesigners faz a junção do nome da doença com a profissão (“busquei trazer o nome para uma coisa boa”) para a elaboração de pôsteres, que, por sua vez, atrelam mensagens positivas à identidade visual correspondente. 

Neste primeiro momento, os trabalhos estão sendo expostos no perfil da iniciativa no Instagram. A segunda fase consistirá na distribuição dos trabalhos, tanto impressos quanto na forma digital, para os que contribuírem pelo crowdfunding que será criado. O dinheiro arrecadado será repassado para entidades civis que desempenham trabalhos de combate aos problemas que resultam da pandemia.

“Essa história toda gerou um sentimento de estarmos de mãos atadas, daí canalizei essa angústia no meu trabalho. A ideia surgiu para que não apenas fizéssemos cartazes bonitos, mas que isso tivesse uma utilidade”, explica o criador do Covidesigners.

COVIDESIGNERS

Projeto está na primeira fase, de exposição dos trabalhos; dinheiro arrecadado na segunda será repassado a entidades

Ele se vê realizado por empregar a paixão pelo design com intuitos sociais. Design, aliás, que ele lembra ter tido papel marcante em vários outros momentos de dificuldades da história da humanidade, como os cartazes da Revolução Russa, referência gráfica até hoje, os de convocação para guerras e a campanha britânica “Keep Calm and Carry on”, oriunda da Segunda Guerra Mundial.

A partir de indicações e manifestações de interessados em contribuir com o projeto, o Covidesigners reuniu diversos profissionais, mas não pôde aplacar todos os que se voluntariaram. Sam Profeta estuda, em função disso, realizar uma segunda rodada da iniciativa. 

Entre os participantes dessa primeira leva está a belo-horizontina Letícia Naves, de 26 anos. Com os dizeres “Vai Passar”, ela procura transmitir uma mensagem de tranquilidade.

“É um lema muito universal, para reforçar que essa situação não vai durar para sempre. Procurei passar um conteúdo mais democrático, tinha pensado em escrever algo como ‘Fique em Casa’, que já foi muito abordado, mas por mais que eu tenha o privilégio de poder ficar em casa e me isolar, muitos não podem”, que cita, por exemplo, o pai e a irmã, médicos.