Envelhecer nem sempre tem a ver com idade. Tal afirmação encontra sólida base argumentativa na vitalidade e na potência criativa de artistas que driblam o relógio da vida com maestria – de Mick Jagger a Ney Matogrosso, de Madonna a Elza Soares. Esbanjando vitalidade aos 72 anos, Gal Costa figura facilmente nessa lista. A prova mais recente disso está em “Estratosférica Ao Vivo”, registro de um  dos shows da turnê do disco homônimo de 2015, que ganhou versão em DVD e CD duplo pela Biscoito Fino.

Gravada pela Polar Filmes, com direção de Joana Mazzucchelli, a apresentação aconteceu em junho deste ano, na Casa Natura Musical, em São Paulo. O roteiro, criado por Marcus Preto, e a direção musical, assinada por Pupillo (Nação Zumbi), atendem ao pedido de Gal: “Não quero nada careta, quero um show bem rock’n’roll”. De fato, a começar pela foto da capa, em que a cantora aparece fazendo os clássicos chifrinhos metaleiros com as mãos, o DVD carrega autêntica atitude roqueira.

No show, Gal mistura o repertório de seu último trabalho com composições de nomes tarimbados como Caetano Veloso (“Objeto Não Identificado”, “Como 2 e 2”), Tom Zé (“Namorinho de Portão”), Luiz Melodia (“Pérola Negra”), Jards Macalé e Waly Salomão (“Mal Secreto"), Carlos Pinto e Torquato Neto (“Três da Madrugada"), e Roberto e Erasmo Carlos (“Meu Nome é Gal”).

Do disco novo – focado em canções de autoria da nova geração – saltam aos olhos a execução de faixas como “Sem Medo Nem Esperança” (música de Antonio Cicero e Arthur Nogueira, que abre o show), “Ecstasy” (Thalma de Freitas e João Donato), “Quando Você Olha Pra Ela” (Mallu Magalhães) e “Estratosférica” (Pupillo, Barreto e Céu).

Completam a lista a inédita “Por Um Fio” (Marcelo Camelo) e canções nunca antes gravadas pela baiana, como “Cartão Postal” (Rita Lee e Paulo Coelho), “Arara” (Lulu Santos) e “Os Alquimistas Estão Chegando” (Jorge Ben). Um registro luxuoso que expõe a energia e a capacidade de atualização de uma das artistas mais emblemáticas da música brasileira.