Lançado em 2011, “Recanto” aproximou Gal Costa de gerações mais jovens que desconheciam a capacidade da cantora de transitar pelas mais diferentes linguagens. O trabalho comandado por Caetano e Moreno Veloso foi tão impactante que a artista apresentou o show por quatro anos – e desejou que seu próximo trabalho seguisse o mesmo caminho.
 
E, realmente, “Estratosférica” (Sony Music) tem características compartilhadas com o antecessor: o uso de elementos eletrônicos, o diálogo com elementos contemporâneos, a parceria com a juventude. 
 
“Queria um disco que não fosse igual ao ‘Recanto’, mas que tivesse uma relação com ele. Disse aos produtores: ‘quero um álbum arrojado, que não seja careta. Que seja palatável, mas também tenha um som eletrônico e provoque uma estranheza”, explica a artista de 69 anos. 
 
Parceiros
 
Para que a ligação com “Recanto” acontecesse, Gal convidou, para a produção, seu afilhado, Moreno Veloso, e Kassin, que também integrou a equipe do trabalho anterior. No início do processo, a cantora decidiu inserir mais um profissional. Em encontro com o jornalista Marcus Preto, veio o desejo de trabalhar em conjunto – e o novo disco pareceu a ocasião perfeita. Foi ele o incumbido de levantar o repertório. 
 
Após ouvirem muitas e varias opções, fecharam em 16 faixas – 12 no vinil, duas bônus para o CD e outras duas para o iTunes. 
 
MISCELÂNEA
 
Nomes destacados da “nova MPB” estão nos créditos como compositores – como Mallu Magalhães, Marcelo Camelo, Jonas Sá, Lirinha –, assim como veteranos que nunca deixaram de ser joviais – Tom Zé, Caetano Veloso, Guilherme Arantes, Zé Miguel Wisnik, Arnaldo Antunes e Marisa Monte. 
 
Há espaço ainda para os diálogos entre gerações: “Dez Anjos” é uma parceria de Milton Nascimento com Criolo, enquanto “Você Me Deu” é a primeira parceria registrada de Caetano com o filho Zeca. 
 
50 anos
 
Não houve uma intenção inicial de associar o álbum aos 50 anos de carreira da cantora, mas é impossível não colocá-lo dessa maneira. Afinal, se manter interessante após cinco décadas de trabalho e quase 40 discos é mérito de poucos. 
 
Segundo Gal, sua postura sobre a música e palco permanecem como nos tempos de juventude, quando impressionava pela voz de graves e agudos inimitáveis. 
 
“Sou uma mulher maduríssima, mas de cabeça jovem, aberta, com vontade de ser contemporânea. Com desejos de dar saltos, como fiz com ‘Recanto’. A diferença é que hoje faço tudo com a maior tranquilidade”, avalia.