Tutu de feijão, tropeiro, pastel de angu, frango ao molho pardo e pão de queijo. Pratos tradicionais da gastronomia mineira que nunca saem de cartaz. Pelo contrário, a busca pela manutenção dos saberes e da culinária tradicional cimentou o caminho de Belo Horizonte rumo à conquista da Cidade Criativa da Gastronomia pela Unesco, em 2019.

“A nossa gastronomia hoje é imbatível”, atesta a chef Cidinha Lamounier, professora de Gastronomia nas Faculdades Promove. Às vésperas do dia da Gastronomia Mineira, celebrado em 5 de julho, ela não tem dúvidas sobre a força e a atratividade dos ingredientes de nossa culinária.

“Nossa gastronomia é diferenciada por causa do tanto de ingrediente que a gente tem. Algumas outras gastronomias do país também têm muita representatividade e visibilidade, mas a variedade de ingredientes que temos e usamos faz uma grande diferença”, ressalta a professora, adepta de primeira hora da gastronomia “raiz”.

Para ela, a nossa gastronomia é do tamanho do Estado, “gigante e única”. A razão do sucesso está no fato de conseguir reunir, segundo Cidinha, mais vertentes e “formar um todo que dá esse algo mais”. Esse boom da gastronomia mineira também teve um empurrão nas mãos mágicas dos profissionais que trabalham atrás do fogão. “A gente tem um grupo de profissionais hoje e muita gente nova chegando. Não tem volta”, garante.

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Jackson Cabral, professor e coordenador do curso do Promove, lembra que, ao se falar de gastronomia, estamos abordando a cultura também. “Quando a gente fala de culinária, a gente está falando do hábito de fazer. Então é importante que a gente pense a gastronomia como uma cultura. E a mineira tem uma raiz muito forte”.

Apesar de o Brasil ser um país muito novo, recebendo várias influências, ele salienta que “nós  levamos para o Brasil e para o mundo aquilo que de melhor fazemos, que é o hábito de preparar pratos específicos da nossa cultura, do nosso dia a dia”. Cabral sublinha que pratos famosos da cozinha mineira surgiram a partir de ingredientes que apontam para nossas raízes.

“É por isso que um paulista pode fazer uma gastronomia mineira, mas quem tem a cultura consegue fazer muito melhor, porque parece que a nossa mão, o nosso olhar, o nosso cheiro já estão acostumados com aqueles ingredientes”, destaca Cabral. Ele frisa que o pão de queijo virou vedete de nossa culinária após a massa tradicional, servida com um café coado na hora, oferecer um gosto indiscutível.

Cidinha pondera que são poucos os profissionais que praticam a cozinha mineira de raiz. “Fico preocupada com essa contemporaneidade em excesso para uma gastronomia que tem tanta história em sua raiz. Às vezes, fazem algumas mudanças nos pratos e eu fico meio assim. Trazemos na nossa essência o que aprendemos durante toda uma vida”.

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