O Brasil ocupa a primeira posição em número de espécies de peixes de rios em todo o mundo, sendo a maioria endêmicos ou seja, existem somente por aqui. Minas Gerais, por sua vez, tem uma enorme diversidade em suas 15 bacias hidrográficas.
 
Com mais de 180 rios, o Estado se torna um dos maiores aquários do País, contendo cerca de 12% das espécies de peixes existentes no Brasil, ou seja, 354 tipos diferentes de pescados nativos.
 
As principais bacias são a do São Francisco, onde existem 173 espécies, seguida pela bacia do Paranaíba com 103, Doce, 64, Mucuri, 51 e Jequitinhonha com 35.
 
Entre as espécies de peixes endêmicos do estado mais presentes nos rios estão os cascudos seguidos dos lambaris, sendo os cascudos, os dourados, surubins, curimatãs, pacus e traíras as estrelas mais apreciadas nas mesas mineiras.
 
Minas tem Mar?
“Camarão-grande, pitu e lagosta-de-são-fidélis”, entre outros, são alguns nomes conhecidos de nossa lagosta de rio, encontrada na região de Aimorés, Resplendor e no entorno, na bacia do Rio Doce. De aparência e gosto semelhantes às lagostas escuras do mar, as mineiras pertencem a famílias diferentes, e encontram-se em franco processo de extinção, com a pesca predatória, e com a construção de barragens, como aconteceu no rio Jequitinhonha na região de Salto da Divisa e no Rio Mucuri na região de Nanuque.
 
Próximo de Carlos Chagas, no Rio Mucuri ainda existem mini camarões, que vivem sob a mata ciliar que são utilizados como iscas pelos pescadores que vivem na colônia de Mairink. Lá, ainda se encontram bons peixes, e as moquecas e petiscos fazem a festa dos profissionais da pesca e dos viajantes que se dirigem para as praias do litoral sul da Bahia.
 
Outra atração gastronômica do Mucuri fica a poucos quilômetros à frente, na cidade de Nanuque, onde a tradição da moqueca do pitu, antes abundante no rio, é preservada no restaurante da Dona Idalice Lopes de Andrade, a Tia Liu, como é conhecida na região. Há 27 anos à frente do restaurante que leva seu nome, Tia Liu prepara sob encomenda as mais deliciosas moquecas com pirão. O mapa da mina leva à parte alta da cidade, na via asfaltada que liga o centro de Nanuque ao trevo de saída para Belo Horizonte.
 
Bar do Careca - O Pescador
Uma das mais famosas traíras de BH está ali no Floramar e o orgulhoso Careca ostenta o título de campeão do Comida di Buteco com seu peixe de tempero, textura e fritura impecáveis.
 
Chico do Peixe 
Outro tradicional endereço para se degustar uma traíra bem preparada é o Chico do Peixe (Rua Pitangui 11, Concórdia), que iniciou sua trajetória no bairro Concórdia e hoje possui mais três endereços na Capital.
 
Rei da Traíra
Parada obrigatória para quem viaja pela rodovia Fernão Dias é no restaurante Rei da Traíra, no km 730 (sentido Belo Horizonte - São Paulo) e 731 (sentido inverso).
 
Os proprietários são o sr. José Benedito Mendes e seus filhos, que se especializaram no peixe, do qual são retiradas 162 espinhas antes de ser preparado. 
 
Um case de sucesso: com o cardápio de um prato só, no qual entram o arroz branco, um pirão e a salada do quintal para acompanhar a traíra, o sr. Mendes conta que já causou constrangimento em um evento realizado pelo Sebrae, onde se discutia a diversificação no comércio, e ele apresentou seu samba de uma nota só, com os números que proporcionaram e ainda proporcionam o grande sucesso da casa.
 
Propaganda eficiente
Como bom marqueteiro o sr. Mendes não abre mão da propaganda da casa ao longo da rodovia, onde existem placas indicativas do Rei da Traíra a mais de 100 quilômetros de distancia. E para reforçar a imagem de qualidade e fidelizar seu cliente, sempre que pedir um prato, o viajante recebe um certificado por ter saboreado a “melhor traíra sem espinha do mundo”.
 
E orgulhoso, o sr. Mendes ainda provoca quem se aproxima para uma prosa: “Três Corações tem dois reis. Um é Pelé. O outro é…” Claro que você vai responder “o rei da traíra.”