Jabuticaba, acerola, pequi, tamarindo, pitanga, jenipapo. Até hoje, tudo que eu plantei aqui nasceu e cresceu”, conta Elizabeth das Dores, a orgulhosa dona de um quintal em São Joaquim de Bicas, no Território Central.

Ela começou cultivar a terra há 30 anos, quando ainda trabalhava com contabilidade em Belo Horizonte. Todo final de semana plantava em seu sítio uma semente diferente. Em pouco tempo, Beth já colhia uma grande variedade de frutas.

“Comecei a perceber que eu perdia muita fruta e o desperdício me incomodava. Foi quando decidi fazer alguma coisa menos perecível e aprendi a fazer licores. Eu gosto de aproveitar tudo”, conta.

Há dez anos, o sítio virou casa e o hobbie, fonte de renda. Hoje, são 24 sabores de licor. Mas quem decide a produção não é a Beth.

“A natureza é que manda. Se é época de maracujá, faço de maracujá”,

e completa: “Tem gente que me pede pra fazer mais disso ou daquilo, mas não posso me comprometer. Só faço o que tem no quintal”.

A diversidade dos sabores vem da criatividade da aposentada. O licor feito com a folha da figueira, por exemplo, é um sucesso. O de guaco - uma planta medicinal usada para tosse e bronquite - é dos mais exóticos.

Beth conta que é impossível revelar a receita. Duas garrafas do mesmo sabor podem ter doses bem diferentes de cada ingrediente. “A gente macera a fruta, joga cachaça e vai temperando com melado, uma mistura de água e açúcar. Mas as quantidades, só provando de pouquinho em pouquinho. Depende da acidez da planta, se a fruta está mais doce ou azeda naquele ano”, explica.

Outra solução encontrada para evitar o desperdício veio dos doces, molhos e compotas. “Se é época de goiaba, faço goiabada. Hoje mesmo estou com um molho de tomate fervendo no fogão a lenha. Depois coloco num potinho, ponho rótulo e vendo. Fica muito leve, não é aquele molho com conservante que vende nos supermercados”, diz.

E os negócios vão bem. Beth tem dois ajudantes e expõe seus produtos em uma banca do Mercado Central, em Belo Horizonte. “Sempre sonhei em vender lá. Ia passear, ficava olhando as lojas… não queria uma muito grande, que não combinasse com o meu produto. Até que encontrei uma que só vendia um tipo de cachaça. Fiz a proposta ao dono e, graças a Deus, não sobra nada na prateleira.”

Aos 59 anos, ela não tem motivos para olhar para trás. “Se eu tenho saudade do trabalho no escritório? Nenhuma! Faço o que gosto. Até os médicos já disseram que isso é o que me mantém viva. Estou muito ocupada pra ter saudades”, diz.