"O Carnaval dos Animais", do Grupo Giramundo, está de volta ao palco do Teatro Móvel. Inspirado na fantasia para pequena orquestra do compositor francês Camille Saint-Sãens (1835–1921), o espetáculo, de 1997, reúne, em uma mesma peça, a maior coleção de marionetes de fio do grupo.

A montagem, que percorrerá 22 municípios do Brasil, conta a história do sapo e do jacaré que, por terem boca grande, são sumariamente excluídos do carnaval na floresta, enquanto leão, hipopótamo, tartarugas e outros tantos se divertem sem o menor remorso. Mas a dupla não se dá por vencida e tenta, a todo custo, participar da festa.

Além das cidades mineiras (como Rio Acima, Catas Altas e Santa Bárbara) a turnê 2013 de "Carnaval..." também passará por Vitória/ES e Corumbá/MS. Todas as apresentações são gratuitas.

A narrativa é contada em aproximados 50 minutos e, nesta edição, tem a parceira a Orquestra da Escola de Música de Nova Lima que, por questões de logística, se apresenta ao lado dos marionetistas somente em algumas apresentações.

O maestro Leonardo Cunha destaca o engrandecimento da orquestra ao participar do projeto. "Interagir com outra arte é fantástico e nesse espetáculo convergimos a música e o teatro – uma atuação que carrega um grau de dificuldade significativo".

O diretor do Giramundo, Marcos Malafaia, completa: "É uma união feliz entre as famílias das madeiras", brinca, referindo-se aos bonecos de fio e os instrumentos musicais.

Dez anos de arte

Malafaia lembra ainda que o Teatro Móvel, que completa dez anos em 2013, é o principal sustentador do grupo. "O projeto é a pedra fundamental para a continuação do Giramundo. É ela que nos permite, inclusive, renovar a equipe de marionetistas".

O diretor afirma ainda que, mesmo tendo sua importância reconhecida, o Giramundo duela dia a dia para atrair os pequenos expectadores.

"O teatro tem outra criança na plateia, que dispõe hoje de tecnologia e mais informação, mas o teatro não precisa perdê-la, ainda que seja uma arte ancestral".

O diretor ressalva que o grupo traz em suas peças a crítica, convivência e educação. "É uma batalha surda na defesa por valores éticos. A nossa luta é para manter vivo o ofício (de marionetista). Por isso deixamos nossa escola aberta, para que as crianças de hoje venham ocupar nosso lugar. É assim que a vida é".

O diretor do Giramundo assume que o grupo tem crenças utópicas. "É uma esperança de que possamos contribuir na luta em direção a um mundo mais humano e educado. Esperamos que nosso trabalho frutifique no mundo das crianças", deseja.

É por isso que ele acredita que o Teatro Móvel seja uma importante ferramenta. "Ele nos permite remontar espetáculos do repertório do grupo, como ‘Um Baú de Fundo Fundo’, ‘A Bela Adormecida’ e o clássico ‘Pedro e o Lobo".