Lady Violet não sabe o que é um fim de semana. Para ela, trabalho é uma coisa deselegante, muito “classe média”. Também se assusta com a luz elétrica e acha que o telefone é um instrumento de tortura, não de comunicação. Ao longo de cinco temporadas da série “Downton Abbey”, exibida no Brasil pelo GNT, a personagem vivida por Maggie Smith, 80, foi a voz agônica da aristocracia britânica se dissolvendo na voragem do século 20.

Na última segunda-feira (2), Smith foi a primeira a avisar que, apesar do sucesso do seriado (visto por mais de 120 milhões de pessoas), não há mágica que possa mantê-lo no ar.

Afinal, personagens de uma ficção histórica têm de obedecer as regras da vida. Quando a sexta temporada, prevista para setembro, estrear, Lady Violet já terá ultrapassado os 110 anos.
Suas netas, outrora lindas moças buscando casamento, vão virando senhoras maduras. E as relações de trabalho com os serventes, que viviam resignados no subsolo, jamais serão as mesmas em tempos pós-Revolução Russa.

As declarações de Smith causaram preocupação entre os fãs e os produtores. A própria atriz amenizou, dizendo logo depois que ficará no programa “até o seu fim”. Mas o autor da série, Julian Fellowes, também já declarou que é impossível ir muito longe.

Titanic

“Downton Abbey” começa com o acidente do Titanic, atravessa a Primeira Guerra e encontra-se agora em 1924, quando nos arredores da propriedade dos Crawley estão instaladas famílias aristocráticas russas fugidas da revolução comunista.

Se o seriado começa a agonizar, as sarcásticas frases de Lady Violet se popularizam. Personagem esnobe e de senso prático, esbanja preconceitos, como na velha aristocracia inglesa, mas também mostra-se cheia de sabedoria política e humana. Mais que nada, permite entender como um sistema de valores saiu de cena, deixando sequelas nos dias de hoje.

As frases de Lady Violet, explicam, ainda, porque um seriado como “Downton Abbey” cumpre hoje a função que os grandes romances ingleses tiveram no século 19.

“Dowton Abbey”– Final da 5ª temporada – vai ao ar na madrugada de segunda (9) para terça (10), à 0h, no GNT.