Seguindo o exemplo de Pernambuco, o governo de Minas Gerais prepara um leilão de energia solar ainda para este ano. O objetivo é vender o insumo a um preço menor do que o negociado no mercado livre - fixado atualmente em R$ 796,07 por megawatt hora no mercado à vista pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

O anúncio foi feito na última quinta-feira (15) durante assinatura de protocolo de intenções com a empresa Minas PCH para viabilizar a construção e a operação de cinco Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e duas Usinas Hidrelétricas (UHE) mediante investimentos de R$ 1,7 bilhão, na Cidade Administrativa.

“A médio e a longo prazo, o governo de Minas fará leilões específicos de energia, que deverão minimizar as ameaças de um possível racionamento. Além disso, este leilão vai ajudar que empreendedores que estão em Minas permaneçam no Estado fornecendo energia”, afirmou o subsecretário de Política Mineral e Energética, Paulo Sérgio Machado Ribeiro.

Fornecedores

O leilão deve estimular a geração proveniente do sol no Estado, aumentando as receitas do governo com impostos. Existe também a expectativa de que seja atraída uma indústria de placas fotovoltaicas para Minas. O secretário negou que haja negociações iniciadas com alguma companhia do setor.

Embora o Ribeiro não tenha detalhado o modelo do leilão, ele comenta que o Estado já está entrando em contato com possíveis participantes.

“Qualquer empresa pode participar, desde que a produção da energia seja em solo mineiro”, diz. O edital com as regras do certame será lançado em breve. Se der certo, o mesmo modelo pode ser utilizado no futuro para leiloar energia proveniente de outras fontes.

O sócio-diretor da Enecel Energia, Raimundo de Paula Batista Neto, afirma que é difícil comentar o assunto sem conhecer o edital. No entanto, ele diz que as usinas de energia fotovoltaica têm apresentado mau desempenho nos leilões do governo federal devido ao preço elevado. “Minas Gerais tem boas incidências solares, mas temos outras fontes de energia mais competitivas”, disse.

Pernambuco

Em 27 de dezembro do ano passado, o governo de Pernambuco lançou o primeiro leilão fotovoltaico estadual do país. Seis projetos foram aprovados e as usinas terão 18 meses para serem construídas, a contar daquela data, viabilizando 122 megawatts de potência instalada. Na ocasião, o megawatt-hora (MWh) da energia solar foi comercializado a R$ 164 (após injeção de capital do governo estadual por meio do programa Pernambuco Sustentável), montante superior ao valor máximo estabelecido para a energia vendida nos leilões A-3 (R$ 126/MWh) e A-5 (R$ 122/MWh). Os empreendedores aprovaram o preço mais alto. Para eles, o valor estipulado pelo governo federal inviabiliza comercialmente as usinas.