São Paulo, Pernambuco ou um misto dos dois. São três possibilidades sobre modelos de fomento à produção audiovisual que o governo mineiro estuda para, segundo o secretário de Cultura Angelo Oswaldo, tirar o Estado dessa “defasagem” no campo audiovisual.

“Temos muito a recuperar, especialmente num Estado onde o cinema brasileiro nasceu, com Humberto Mauro. Temos uma dívida histórica com o pai do nosso cinema”, observou o secretário durante cerimônia de oficialização do pagamento do prêmio Filme em Minas, no Palácio das Artes, na tarde dessa quinta-feira (11).

Diante de representantes dos 34 projetos vencedores, que receberão R$ 4 milhões do governo estadual, além de R$ 3,15 milhões de uma contrapartida federal, via Agência Nacional de Cinema (Ancine), Angelo destacou a importância de priorizar um dos mais importantes setores da contemporaneidade.

O modelo paulista, em funcionamento desde fevereiro, envolve a criação de uma empresa específica (a SPCine) para o desenvolvimento, financiamento e implementação de programas e políticas para o setor na capital. Foram investidos cerca de R$ 25 milhões, divididos entre a Prefeitura e o governo estadual.

O sucesso do cinema pernambucano atual, premiado em festivais do Brasil e do exterior, se deve em grande parte à realização do Programa de Fomento à Produção Audiovisual, que, em sua sétima edição, selecionou 119 projetos e destinou cerca de R$ 11,5 milhões dos cofres do Estado.

“Além de estarmos em diálogo permanente com a Ancine, queremos envolver instituições daqui, como a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais e o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, para se criar linhas de financiamento para diversos setores da cadeia cinematográfica”, destaca Angelo.

O secretário-adjunto Bernardo Mata Machado, que vem participando de reuniões pontuais com a comunidade cinematográfica, assinalou que é preciso olhar com cuidado para os vários segmentos dentro da exibição, distribuição e produção. “(Essa cadeia) É mais complexa do que eu imaginava a princípio”, admitiu.

O produtor Thiago Macêdo Correa, da Filmes de Plástico, ponderou que, apesar da evidente boa vontade do governo, a secretaria deveria criar um calendário de metas, já discutindo os projetos de forma sistematizada, para serem apresentados ainda no segundo semestre.

Angelo revelou que uma das próximas ações é a criação de uma nova Lei de Incentivo à Cultura, “mais clara e objetiva, pois, do jeito que está, ele já captará todos os recursos em janeiro”. Em 2015, a lei atingiu o seu teto de renúncia fiscal (cerca de R$ 84 milhões) no segundo mês.

O secretário praticamente descartou a possibilidade de uma edição do Filme em Minas ainda em 2015. “Se comprometermos com algo que não sabemos se podemos cumprir, dentro do orçamento que temos, seremos como o mágico que mostra a cartola e só tira o coelho no ano que vem”.

Os recursos distribuídos agora se referem ao edital extra realizado no ano passado e que deveriam ter sido disponibilizados em dezembro. “Fizemos toda uma engenharia orçamentária para saldar essa dívida, que não aparecia no orçamento como dívidas a pagar”, ressalta Angelo.