Há várias razões para acompanhar o encontro de Toninho Horta, Beto Guedes e Flávio Venturini, três integrantes do Clube da Esquina, no palco do Grande Teatro do Palácio das Artes, ao lado da Orquestra DoContra, nesta sexta-feira. Uma delas os 50 anos do movimento musical – celebrados em 2022 – que pôs Minas Gerais no mapa do cenário internacional.

]Outra razão é destacada por Neto Belloto, diretor artístico da única orquestra do mundo com seis contrabaixistas na linha de frente. “Os caras estarão juntos, algo que se tornará cada vez mais raro. Eles já estão velhinhos. Então temos que aproveitar”, afirma o músico, que lembra ainda o fato de Milton Nascimento ter anunciado sua despedida dos palcos no ano que vem.

Bituca, por sinal, chegou a ser sondado para o projeto, que terá, como cereja no bolo, o lançamento de álbuns em homenagem a vários integrantes do Clube da Esquina. Além dos três citados acima, participarão Lô Borges, Tavinho Moura, Wagner Tiso, entre outros. O show desta noite será o único que reunirá mais de um nome ligado ao movimento.

“Será como um grande encontro, já que faz muito tempo que não tocam juntos. Também podemos dizer que será um cartão de visitas para a série de concertos que faremos no ano que vem, além de um presente de final de ano para a cidade de Belo Horizonte”, ressalta Belloto, para quem “não vai faltar música de sucesso” no repertório desta noite.

Clássicos como “Todo Azul do Mar”, “Sol de Primavera”, “Manuel, O Audaz”, “Clube da Esquina”, entre outras pérolas musicais, ganharão versões únicas, com arranjos assinados por Belloto, pelo músico Marlon Humphreys e o maestro Marcelo Ramos. A tarefa de dar esse verniz, diga-se, não foi das mais fáceis, devido às peculiaridades do repertório do Clube da Esquina.

“É uma música única no mundo. É tão densa, complexa e rica, sendo impossível mudar a essência. Não dá para mudar os acordes, por exemplo, por conta das inversões. Você não vê isso em nenhum outro lugar do mundo. O Toninho, então, tem acordes que nunca tinham sido ouvidos antes. Daí você percebe a relevância desses caras”, assinala Belloto.

Por tudo isso é que o diretor teve o cuidado de “não sair da linguagem”, mas sim dar um colorido diferente com o acompanhamento de orquestra, ampliando as possibilidades de som. “Normalmente se emociona muito mais quando há uma orquestra”, destaca. E, no caso de DoContra, soma-se o desejo de fugir à tradição, “não se contentando com estruturas formais de uma orquestra”.