Ao todo, foram mais de 5 mil apresentações no Brasil e no exterior. O acervo conta com mais de 1.200 figurinos e adereços, como parte resultante de um trabalho de pesquisa que desvendou aproximadamente 100 danças e cantos. O legado pertence ao Grupo Aruanda – o primeiro a expandir a investigação sobre a música e a dança folclórica para todo o Brasil. Nesta terça-feira (5), parte da memória folclórica levantada pelo coletivo estará viva no palco do Grande do Teatro do Palácio das Artes, com o espetáculo “Grupo Aruanda – 50 anos de História”.

Apesar do título, o grupo já soma 55 anos de fundação. Não que os últimos cinco anos tenham sido negligenciados. O motivo do atraso é outro. A apresentação faz parte de um projeto - viabilizado pela Lei Rouanet - desenvolvido para as comemorações do cinquentenário do Aruanda, que abrange também um livro homônimo, que só pôde ser viabilizado agora. Bilíngue, a obra será lançada logo após o espetáculo. A noite será selada ainda por uma exposição, a qual é composta por parte do rico acervo do Aruanda.
 
O espetáculo
Atualmente, cerca de 60 voluntários trabalham no grupo. Contudo, especialmente para o espetáculo, essa equipe será ampliada para 83 pessoas. “Convidamos antigos dançarinos de gerações passadas para o número das danças gaúchas. Alguns deles não pisavam no palco há mais de 30 anos. Será um momento especial para homenagear a todos os dançarinos que participaram do Aruanda desde a fundação”, afirma o diretor artístico do grupo, Wagner Cosse.

Além da dança gaúcha, que estará representando a região sul do país, o espetáculo irá trazer o folclore das demais regiões brasileiras. O povo nordestino será brindado com o maracatu e o frevo (apresentação inédita em terras tupiniquins); o do norte com o carimbó; o do centro-oeste com o clássico “Cuitelinho”; e o do sudeste com um cortejo à Nossa Senhora do Rosário.
 
O livro
Criado com os objetivos de pesquisar, preservar e divulgar o folclore brasileiro por meio da música e dança dos diversos cantos do Brasil, a herança criada pelo Aruanda foi bem retratada no livro.

Cada capítulo do livro reconta uma década da história do grupo, partindo do ano de sua fundação, 1960, até 2010. Também autor do livro, Cosse conta que o início de cada capítulo traz uma contextualização do momento em que o mundo vivia e, em seguida, uma conexão com a história do grupo.

“No começo dos anos 60, os Beatles estavam fazendo uma revolução na música, que contribuiu para mudanças de costumes e comportamentos. E o Aruanda estava fazendo outra revolução: a de buscar preservar a memória nacional por meio do folclore. Fomos os pioneiros nisso”, exemplifica Cosse

A exposição
Cosse destaca ainda que o Aruanda tem sido fonte de pesquisas no Brasil e no mundo. “O grupo é uma referência. Recebemos pesquisadores aqui de todos os níveis, desde o fundamental até o mestrado, além de estilistas que vêm para obter inspiração para uma coleção ou informações para estudar a evolução da moda no Brasil”, afirma.

Parte do grandioso acervo do Aruanda também poderá ser visto de perto pelo público no foyer do Palácio das Artes. Entre os itens que serão mostrados na exposição, estão figurinos, adereços, bandeiras e estandartes das diversas manifestações folclóricas de todas as partes do Brasil.
 
Serviço:
 
Dia 5 de abril, no Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537, Centro - fone: 3236-7400)

· Exposição de trajes típicos das cinco regiões do Brasil – Foyer, às 19h.
 
· Espetáculo de dança folclórica - Grande Teatro, às 20h.
 
·Lançamento e noite de autógrafos do livro "Grupo Aruanda – 50 Anos de História", após o espetáculo.
 
Entrada gratuita