Foi num reencontro ao estilo “numa mesa de bar” que nasceram as primeiras conversas do que viria a ser o Marimbando. “O Thiago Araújo (flauta e escaleta) e eu somos amigos de escola, mas não nos víamos há um tempo. Um belo dia, ele foi lá em casa, tomamos uma cerveja, mostrei algumas ideias musicais para ele, e o Thiago também me mostrou algumas”, relatou Marcelo Novaes (voz e violão).

Esse clima despretensioso da conversa, que também envolveu Gabriel Marques (percussão), se estendeu para a musicalidade do grupo, completado por Érico Grossi (percussão), Luiz Prestes (baixo) e Michelle Oliveira (voz, violão e percussão), integrante também do Cromossomo Africano. Caçula na banda, Michelle, no entanto, não chegou a tempo de participar das gravações do EP de estreia, “Ao Vivo no Motor”.

“Não teve uma definição de estilo ou de um projeto super bem delineado. Inclusive, músicas que criei antes, ao serem arranjadas pela banda, se tornaram algo diferente do que eu imaginava. Hoje considero que (a banda) tem uma cara, um som identificável”, destaca Novaes.

Marimbando

Isso se faz ouvir nas quatro faixas que compõem o EP, gravado no ano passado no estúdio Motor, em BH, e disponibilizado nas plataformas digitais nesta semana. “É algo no estado bruto, tocado ao vivo mesmo, só que no estúdio. Uma banda nasce mesmo a partir de seu primeiro fonograma”, diz. O disco, que passeia por várias vertentes da música brasileira, antecede o debute cheio, a ser lançado em 2021.

Até lá, Novaes confessa que as composições prontas poderão – e deverão – sofrer alterações, por conta da entrada da Michelle, entre outros fatores. Previsão de novos horizontes sonoros e letras ainda mais consistentes e reflexivas – preste atenção na potência do arsenal lírico de “Ao Vivo no Motor”.

Samba

“Vamos gravar nosso álbum com o Rafa Dutra, que já recebeu o material, e juntos estamos pensando já em participações, em camadas de arranjo, camadas de voz, tudo que um disco de estúdio permite. De 14, 16 músicas, vamos selecionar cerca de dez. Com a Michelle, acredito que a coisa será ampliada. A entrada dela vai enriquecer bastante, alterar substancialmente a textura e as possibilidades do nosso som. A gente não usa batera, temos dois percussionistas e, com ela, serão três”, ressalta.

Em sua opinião, ao trilhar um caminho despretensioso, surgiu um som sofisticado, mas que ainda assim carrega uma aura de simplicidade. “Com o EP, conseguimos saciar nossa vontade de lançar um material, mas, ao mesmo tempo, nos atiçou o paladar, o apetite. Estamos ansiosos em soltar nosso primeiro álbum cheio. Estamos com fome de tocar ao vivo também”, finaliza.