Nesse meio tempo, foram três presidentes da República, cinco Copas do Mundo e cinco Jogos Olímpicos. As Torres Gêmeas desapareceram após um ataque terrorista e o Facebook e o WhatsApp viraram protagonistas na vida de bilhões de pessoas no mundo.

O planeta, definitivamente, não é o mesmo desde 1995, quando o então galã da Rede Globo Guilherme Fontes começou a produzir “Chatô – O Rei do Brasil”, baseado no livro homônimo de Fernando Morais. Exatamente duas décadas depois, o filme chega às telas.

“É como se tivesse acabado de fazer amor”, afirma o cineasta ao Hoje em Dia, aliviado com as boas críticas recebidas até agora. É o primeiro round vencido por ele após imbróglio envolvendo prestação de conta e orçamentos grandiosos, algumas das razões para esse lançamento tardio.

“Estou flutuando, feliz da vida. Foi arriscado lançar primeiramente em São Paulo e Rio, pois as opiniões poderiam contaminar todo o Brasil negativamente. Aconteceu o oposto, com o público saindo das salas com a certeza absoluta de que fez um excelente programa”.

Não é exagero. A cinebiografia sobre o magnata da comunicação Assis Chateaubriand teve a segunda melhor média de público na semana de estreia, só perdendo para o quarto “Jogos Vorazes”. Resultado que lhe deixa animado para ampliar o número de cópias de 16 para 150.

Fontes não é um James Cameron, quando ganhou 12 estatuetas do Oscar por “Titanic”, mas se sente “rei” novamente. Lembra que uma das primeiras reportagens sobre o filme manchetou, em dezembro de 1994, que “o rei do Brasil cai no mundo”. O rei virou réu durante duas décadas.

“Depois de toda essa farsa, dessa falácia de desvio (dinheiro) e desse pré-julgamento, sendo caçado pelo governo e injuriado na imprensa, ter entregue um filme de alta qualidade e ser recebido assim pelos mais influentes veículos do país me faz sentir rei outra vez”.

Ele observa que “Chatô” não é “totalmente farsesco, realista ou delirante”. Salienta que tem muita verdade, mas algumas tiradas também. “Não é um filme biográfico ou histórico. Mas quem gosta desses elementos, vai encontrar. É um entretenimento, baseado em fatos reais”.

Apesar de ainda ter contas a acertar e muita peleja na Justiça, Fontes já anuncia que fará uma comédia sobre a situação que viveu nas últimas duas décadas. Para ele, “Esse Otário Sou Eu – Palhaçada Não tem Hora” será uma espécie de catarse pessoal, apostando na curiosidade das pessoas “sobre essa história na qual me meti”.

E vem aí também um filme sobre religião, “que sempre está na moda e que, sorrateiramente, tomou conta de todas as esferas da sociedade. “Desde garotinho queria falar de poder e religião. O primeiro, achei no livro do Fernando e o segundo, num clássico de domínio público, que ganhará versão de Naum Alves de Souza”, registra.

Guilherme Fontes desabafa, celebra boa receptividade de “Chatô” e anuncia peça e filme