Em 2009, o "Bolinho" apareceu pela primeira vez nas ruas de Belo Horizonte. Estampando um muro na avenida Antônio Carlos, o personagem não sobreviveu por muito tempo. Uma chuva forte derrubou a parede onde ele havia sido grafitado. Mas a vida curta do primeiro desenho não acabou com a jornada do simpático cupcake. Tanto que agora o colorido personagem celebra 10 anos de existência e a festa de aniversário inclui várias atividades.

Para dar o pontapé nas comemorações, o "Bolinho" vira tema de uma exposição na Galeria Quartoamado, em cartaz até 30 de agosto. “A ideia da mostra é resgatar a memória de todas as coisas que eu fiz”, explica Maria Raquel, criadora do personagem.

A exposição remonta à trajetória do personagem por meio dos "Bolinhos" mais marcantes. “Fui escolhendo as que tiveram mais repercussão nas redes sociais e percebi que elas contavam um pouco da história desses anos, falavam das coisas que aconteceram”, conta Maria Raquel. Para exemplificar, ela cita um grafite de 2013, em que o "Bolinho" era representado em um protesto. 

Além dos acontecimentos do país, os bolinhos também reviveram memes de sucesso, como o do “Rei do Camarote”, “Já Acabou, Jéssica?”, canções que foram hit no país, como “Camaro Amarelo”, e até mesmo figuras e personagens marcantes, tais como David Bowie e a Chiquinha, do Chaves. 

O caráter “instagramável” do "Bolinho", que acaba sempre aparecendo em fotos nas redes sociais, também ganha destaque na exposição. “Temos uma sala que é uma reprodução da primeira telinha do 'Bolinho' que eu fiz. Então, a pessoa pode entrar nesse cenário e tirar uma foto com o Bolinho, interagir com tudo isso”, explica Maria Raquel.

As celebrações não param com a exposição e o personagem também ganha um mural, no bairro Santa Efigênia, com releituras feitas por 26 artistas. “Temos comemoração para o mês todo”, garante a criadora.

História

Maria Raquel conta que o "Bolinho" surgiu do desejo de começar a grafitar. “Não tinha nenhuma técnica, não desenhava nada. Então, resolvi criar algo que tivesse a minha cara e que fosse fácil de reproduzir. Como sempre gostei de cozinhar e sou louca por doces, me veio a ideia do cupcake, que é um doce de aparência bonita”, conta.

Começando sem pretensão, ela confessa que ainda se surpreende com os rumos tomados pela própria criação. “Quando comecei, não imaginei que o 'Bolinho' fosse se tornar tão popular e conhecido”, diz a artista. 

Além de estampar os muros da cidade, os bolinhos se transformaram em diversos produtos – almofadas, telas, quadros e gravuras. Tudo isso vendido em uma loja criada por Maria Raquel. 

Favorito

Com vários bolinhos espalhados pela cidade – ela admite que perdeu a conta há cerca de 5 anos, quando já eram mais de 600 – Maria Raquel tem os favoritos: quatro pintados no bairro Lagoinha. “São bolinhos que expressam o meu amor por BH e que estão numa região simbólica, uma das primeiras (intervenções dela) na cidade”.