Foi da paixão pela arte que a colecionadora Celma Albuquerque fundou, em 1998, a galeria Cromos, que ocupava duas lojas na Rua Pernambuco, na região centro-sul de Belo Horizonte. No mesmo ano, o espaço expandiu, mudando-se para a rua Antônio de Albuquerque. No novo endereço surgiu a galeria que leva o nome dela e que, em 2018, completa 30 anos de existência e atividade.

“Quando a mamãe montou a galeria, ela era menor, com um espaço adaptado. Começamos com trabalhos de artistas mineiros e algo de arte moderna. Ela sempre cultivou esse sonho, sempre teve essa vontade de ter um espaço para abrigar exposições de arte contemporânea”, lembra a filha, a galerista Flávia Albuquerque, contando que o pontapé inicial no projeto foi dado com uma exposição de Antônio Dias, a primeira do artista em Belo Horizonte.

Com três décadas de funcionamento do espaço, Flávia avalia a importância do marco temporal alcançado pelo reduto fundado por sua mãe.“Para nós, isso tem uma importância especial por ser uma empresa familiar, de duas gerações”, afirma. Aliás, foi em família que o espaço foi gerido, desde seu início em 1998. “Começamos bem jovens, quando a minha mãe ainda era diretora da galeria. Estávamos sempre ao lado dela trabalhando”, conta Flávia. Ao lado do irmão, já são 20 anos à frente da galeria.

Exposição Individual Antonio Dias (2006)

MOSTRA – Exposição Individual Antonio Dias (2006)


Importância

Para além dos laços familiares que fazem parte da história do espaço, o próprio trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas reforça a importância da atuação da galeria. “O grande trabalho foi iniciado pela minha mãe, o que fizemos foi dar continuidade a isso de fazer uma galeria de arte contemporânea com projetos que ocupam o espaço de uma forma muito especial”, pontua a galerista. Para ela, a liberdade dada ao artista na ocupação, inclusive, é um dos grandes diferenciais da galeria.

Exemplo disso é a exposição “3 LAMAS (AI, PARECIAM ETERNAS!)”, do artista Nuno Ramos, que ocupou a galeria em agosto 2012. “Foi um marco no Brasil inteiro, porque foi a primeira vez que uma galeria comercial no país teve o espaço destruído para receber uma mostra”, destaca. “Ela realmente chamou a atenção de todo mundo, porque retiramos o piso da galeria inteira, foi uma montagem que durou 40 dias”, rememora a galerista. Outros importantes nomes da arte contemporânea brasileira passaram pelo espaço, como Waltercio Caldas, Eduardo Sued, Nelson Leirner, José Bechara, Carmela Gross, Eder Santos e José Bento.

Outro fator que corrobora para a longevidade da galeria é a sua atuação, feita de maneira próxima dos artistas. “Acompanhamos a carreira de alguns nomes há muitos anos. É um trabalho que continua ativo, continuamos ajudando as pessoas que nos procuram para iniciar uma coleção”, destaca.

Exposição Individual Jose Bechara (2009)

Exposição Individual Jose Bechara (2009)

 

Para celebrar as três décadas de atividade, galeria recebe exposição de José Bechara

“Fruto da usual coragem da galeria”. É dessa forma que o artista plástico carioca José Bechara explica a exposição “Fluxo Bruto”, que ele traz para Belo Horizonte no fim do ano em comemoração aos 30 anos da galeria Celma Albuquerque.

“É uma exposição realizada em duas partes, uma delas com trabalhos de grandes dimensões que mostrei recentemente no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e outra parte com trabalhos inéditos”, explica o artista, que tem uma relação com o espaço desde a fundação, em 1998.

Entre esculturas e pinturas, Bechara exibe cerca de 12 obras. “Elas são muito grandes, uma delas pesa duas toneladas e meia e deve ocupar toda a frente da galeria”, adianta. As dimensões avantajadas reforçam ainda mais o caráter corajoso, que o artista atribui ao espaço. “É uma exposição que foi idealizada para um local das proporções do Museu de Arte Moderna do Rio e ela está sendo recebido pela galeria. É um lugar que tem características físicas de um museu”, observa.

Além da liberdade no uso do espaço físico, o artista destaca também a atuação da Celma Albuquerque. “É uma galeria parceira em projetos, exposições e na ativação do trabalho do circuito dentro e fora do Brasil. Não são todas as galerias que fazem isso, e a Celma faz com muito brilho”, elogia.