A julgar pela quantidade de blogs e páginas no Facebook – “Cacheadas em Transição”, “Indiretas Crespas” e “BH Cacheadas e Crespas” são alguns grupos entre tantos que pregam a valorização dos cachos naturais – existe na web um movimento nada silencioso de incentivo e ajuda para quem quer se livrar de escova progressiva, alisamentos e químicas pesadas.

No grupo BH Cacheadas e Crespas, a mensagem é clara. “Apaixonadas por cabelos crespos e cacheados, sejam todas bem-vindas... as participantes podem criar álbuns e postar fotos de produtos. Não serão permitidas ofensas entre participantes. Caso isso aconteça, será banida do grupo sem aviso prévio”.

A estudante Paula Britto, de 24 anos, passou a aceitar o seu cabelo do jeito que ele é depois que entrou para o “Cacheadas em Transição”, comunidade com 74 mil seguidoras em todo o Brasil. “Não preciso alisar meu cabelo para chegar a um padrão de beleza exigido pela sociedade”, é o lema de Paula.

Conhecimento é tudo

Para Márcia Silveira, gerente de comunicação da rede de institutos Beleza Natural – com unidades no Estação BH, ViaShopping, Minas Shopping e no Betim Shopping, com inauguração no dia 11 de setembro –, a valorização do cabelo crespo e cacheado passa pelo acesso à informação. “O que muita gente desconhece é que o cabelo crespo é também o mais frágil e desidratado. O fio cresce em espiral ou pra cima e há uma dificuldade da oleosidade natural sair do couro cabeludo e chegar até as pontas”, explica Márcia. Desidratado, o fio vai curvando, ressecando e também embaraçando mais.

“Cuidar do cabelo cacheado só tem mistério quando você não entende do que esse fio precisa. Depois que se aprende, tudo fica lindo e fácil”, dá o recado Márcia. A saúde dos fios e o realce dos cachos são os desafios de quem não quer ser escravo da escova progressiva ou de alisamentos.

Lavar as madeixas no máximo três vezes por semana, tirar o excesso de água com a toalha de maneira delicada e aplicar creme de pentear com as mãos em concha amassando com suavidade os cachos a partir das pontas são dicas fundamentais repassadas pela criadora do Beleza Natural, a carioca Zica Assis.

Há 21 anos à frente do instituto, ela também pantenteou o “Super-Relaxante”, produto que levou mais de 10 anos de pesquisa e que promete tirar o volume dos fios, tornando os cabelos crespos mais maleáveis, com brilho e cachos definidos. E o melhor: sem formol em sua fórmula. Zica, que sempre batalhou para seu cabelo ficar com aspecto bonito, também é precursora no lançamento de produtos específicos para cachos diferenciados. Depois de quase dois anos de pesquisa junto com a Universidade de Brasília (UnB), o Instituto Beleza Natural catalogou quatro tipos de cachos (confira ao lado).

Cabeça feita

Os turbantes são um poderoso aliado para a autoestima, principalmente para mulheres que estão na luta contra o câncer. O acessório, que vem fazendo a cabeça do público feminino, substitui, com estilo, as tradicionais perucas. O adereço ajuda também a personalizar as produções do dia a dia, deixando a mulher mais elegante.

Com esse propósito, o NTC/ Wilma Perucas, em parceria com a empresa francesa NJCreation, especializada na fabricação de perucas e turbantes, oferece turbantes de várias cores, modelos, tamanhos e estilos. “Queremos mostrar que existe uma possibilidade que vai além da peruca. Os turbantes podem ser usados em qualquer ocasião e combina com todas as mulheres”, afirma a sócia-proprietária Fernanda Tompa.

O turbante de fibra de bambu, batizado de “Bambou”, foi criado especialmente para as mulheres brasileiras. Seu uso é recomendado quando o dia estiver quente, pois o material utilizado na fabricação do acessório não causa incômodo provocado pelo calor. Já aquelas que querem usar o adereço enquanto pratica atividade física, a marca apresenta “Cannes”, um turbante com aba semelhante a de chapéu, para complementar o look esportivo, “sem parecer que a pessoa simplesmente usou um lenço na cabeça”, acrescenta Fernanda.

Além das opções para o uso diário, é possível encontrar turbantes para grandes eventos e que carregam nomes criativos. “Diva”, “Lova”, “Kanaya” e “Froufrou” são algumas opções recomendadas. “ Os turbantes de seda são bem estilosos. A pessoa pode usá-lo com um lindo vestido de festa ou em um jantar” , conta Fernanda.

Adepta de turbantes há nove meses, a coordenadora pedagógica Delaine Durso, de 40 anos, mantém um ritual e repete um mantra toda vez que usa o acessório: “Sou uma diva, sou poderosa”. Ela conta que encontrou no turbante uma forma de enfrentar a sua calvície forçada. “Na luta contra o câncer, as mulheres podem e devem manter um visual elegante e moderno, sem perder o conforto. Sabemos que isso é apenas uma fase e, como tal, deve ser vivida da melhor maneira, sem perder a beleza e feminilidade”.

(*) Colaborou Rute de Santa/Especial para o Hoje em Dia