Um homem atormentado por questões éticas e filosóficas. Nesta situação, a quem recorrer? Dividir suas preocupações com Jesus Cristo, Sócrates, Buda? Os questionamentos permeiam a montagem teatral “O Canto de Gregório”, que o grupo Magiluth, de Recife, traz a Belo Horizonte neste final de semana – as sessões acontecem no palco da Funarte MG.

O espetáculo, com texto de Paulo Santoro e direção de Pedro Vilela, integra a “trilogia dos seres humanos tentativos”, iniciada em 2010. “O Canto de Gregório” corresponde ao segundo momento, e surge como contraponto ao primeiro, sobre como o ser humano se relaciona com o universo.
“Por isso, na construção do espetáculo, o personagem-título se depara com seu estar no mundo, e daí com Sócrates, Jesus Cristo e Buda, grandes pilares do pensamento. Discute como é possível ser bom nessa sociedade, e se o ser humano é bom de verdade”, analisa Pedro Vilela.

A trilogia, na verdade, começou com a montagem de “Um Torto” (2010), seguido pelo “Canto de Gregório”, de 2011, e encerrado, em 2012, com “Aquilo que o meu Olhar Guardou para Você”. O personagem “Gregório” (interpretado por Pedro Wagner) não apenas dialoga com esses seres que habitam a mente dele (grandes pensadores), conforme explica Pedro Vilela. “Nessa tentativa de se compreender – e ao se deparar com esses paradigmas – ele questiona as bases da nossa civilização”. Não fica pedra sobre pedra. Melhor, abre espaço para reflexões, e que não são poucas.

Para apimentar o espetáculo, o próprio Gregório arma um crime para ser julgado. E o crime que ele cometeu, um assassinato, não é discutido em que circunstâncias aconteceu, mas, sim, por meio de conceitos de bondade e maldade. “Ele matou por ser uma pessoa boa ou uma pessoa má. Aí se coloca esse antagonismo, a partir dessas contradições. Por exemplo, a camiseta de divulgação do espetáculo estampa, na frente, o dizer a ‘frase de trás é verdadeira’ e na parte de trás, ‘a frase da frente é falsa’. Ele nunca vai chegar a conclusões precisas”, pondera Vilela.

“O Canto de Gregório” – Funarte (rua Januária, 68, Floresta)
Sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 19h
Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia)