Blubell já havia mostrado sua irreverência em seus dois primeiros discos. Mas no recém-lançado “Diva É a Mãe” (YB Music), deixa isso ainda mais claro. A começar pelo título. “A frase veio como um grito, não é recado para ninguém. Houve um momento em que pensei que dev[/LEAD]eria me levar a sério, por cantar uma música considerada ‘sofisticada’. Ouvi muito a palavra diva e achei que deveria parecer rica. Mas depois descobri que não é bem assim, que estou mais para moleca do que para diva”, afirma.

A artista paulista sempre bebeu da fonte do jazz, especialmente a vertente popular dos anos 40 e 50. Mas soube dar uma cara própria, com letras cheias de ironia, misturando português, inglês e francês. 

Assim já havia sido em “Slow Motion Ballet” (2006) e “Eu Sou do Tempo Em que A Gente se Telefonava” (2011). O humor sofisticado já dá as caras na faixa que abre o terceiro álbum, “Protesto”: “Me permita amargurar/ just for now/ Tenho que reclamar/ Eu e a torcida do Flamengo”. Ou em “Bandido”: “Na vida já fui tão acolhida/ Meu Deus, como fui me apaixonar/ Por um telefone celular”.

“São músicas que pegam mais a veia do humor, da ironia. São músicas compostas ao longo de três anos que deixam um retrato bem fiel do atual momento da minha vida”, diz a artista, que percebeu que sua música não é absorvida apenas por um público mais intelectualizado, conhecedor da história do jazz. “Tem gente que vai falar para você que o Brasil só gosta de axé, mas não é assim. Há quem pense que a minha música vai ficar presa a uma classe mais alta, mas estou conseguindo atrair pessoas de todas as classes em meus shows”.

Com a banda Black Tie, com a qual lançou “Blubell & Black Tie” em 2012, a parceria fica parada neste momento. Mas um novo projeto em conjunto deve ser lançado em alguns meses.