A oralidade, a poesia de rua e o slam (batalhas de versos) ganham espaço central na terceira edição do Festival Literário Internacional de Belo Horizonte (FLI-BH), que começa nesta quarta-feira (25), no Teatro Francisco Nunes. A literatura tradicional não perdeu a vez, mas as formas alternativas passam a ter maior ênfase, como destaca Marilda Castanha, ilustradora mineira que assume a curadoria do festival ao lado de Miriam Sabino, poeta slammer e ativista.

Repórter do Hoje em Dia explica o que são as batalhas de versos (slam):


“Temos esse compromisso com essa literatura feita com e para além do livro. Não à toa, escolhemos como título a expressão narrativas vivas. É um festival que, esperamos, dê voz e escuta. Às vezes a gente está precisando mais de escuta que de voz”, registra Marilda, que também teve como eixo a ideia de ir contra as invisibilidades históricas, perceptível na homenagem ao poeta Adão Ventura, falecido em 2004.

“O Adão era uma pessoa que a gente via com muita frequência na cena cultural de BH. Esta homenagem tem um caráter não só histórico, mas também atual, no sentido de que a gente está dando visibilidade a personagens que a própria sociedade muitas vezes tenta apagar violentamente. Não que as pessoas se deixem apagar, mas as vezes querem forçar esse esquecimento. E o Adão simboliza muito essa questão”, observa.
 
O tema também está presente no grande número de atividades relacionadas à literatura indígena e de outras minorias. “Estamos falando de produtores significativos que deixados de lado na programação dos festivais literários do país”, sublinha Lídia Mendes, da Gerência de Bibliotecas e Promoção da Leitura na Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte.
 
Ela destaca o fato de o festival voltar a ter como palco as dependências do Parque Municipal, como ocorrido em 2015, tornando mais acessível à população a programação, que prosseguirá até o dia 29 apresentando mais de 50 atividades gratuitas. “O festival está muito diverso, voltado para todos os tipos de públicos e idades, com lançamentos todos os dias e várias mesas de debates”, comemora Lídia.
 
Para Marilda, a adesão dos frequentadores é super importante, criando um público fiel “que vai poder ali fazer a sua própria formação dentro do espaço que o festival oferece”. A curadora defende que a literatura é cada vez mais necessária para dar conta de nossa realidade. “A literatura tem esse espaço de afirmação de território, de liberdade. É afirmar que nesse território você tem mesmo que ser respeito”, salienta. (com Jessica Malta)