O showman brasileiro Luiz Carlos Miele encerra a entrevista concedida ao Hoje em Dia com uma (boa) história. Diz que, na saída de um espetáculo, anos atrás, foi abordado por uma jovem. “Você é o Miele?”. Ao que ele respondeu com um “sim” pra lá de galanteador. E já emendou conversa. “O que posso fazer por você?”. O que ele não esperava era a resposta que veio a seguir: “Não para mim, mas para minha avó, sua fã”, conta, ele, arrancando gargalhadas do ouvinte.

É com esse refinado humor que, em BH, Miele divide o palco com as cantoras Célia e Jane Duboc, no espetáculo “É Melhor Ser Alegre que ser Triste – Tributo a Vinícius de Moraes” (Sesc Palladium, neste sábado (29), às 21h, e domingo, 19h).

Na estreia nacional da montagem, Miele repassa casos de sua carreira e dos encontros geniais com o “poetinha” Vinícius.

O artista dispara outra história que habita seu embornal de memórias: antes da estreia de um espetáculo, Elis Regina pediu-lhe para que não bebesse. “Ela estava nervosa. Fui para casa, cheguei antes da meia-noite, sem tomar nada. Meti a mão no portão, mas meus cães avançaram em mim. Não me deixaram entrar, não me reconheceram! Daí, tive que ir a um bar e tomar uns uisquinhos. Voltei e eles me lamberam, como se dissessem: ‘esse é o Miele’! Acho que foram os precursores do bafômetro”, ri.

Mesmo sendo um veterano nos palcos, Miele vive a expectativa de mais uma estreia. “Torço para que tenha uma plateia diversificada. São canções de Tom e Vinícius, que é uma outra realidade dessa turma mais jovem, mais orientada pela mídia, atrás de sucesso imediato. E isso nunca foi característica da bossa nova. Acho até que a bossa nova cumpre o destino do mundo do jazz, não é muito popular, mas é para sempre”, filosofa o showman, abandonando um pouco seu lado mais cômico. Ele diz, no entanto, que está feliz pela estreia acontecer em Belo Horizonte. “Uma cidade extremamente musical”, observa.

Em “É Melhor Ser Alegre que Ser Triste” há um cenário que faz referência aos calçadões das praias cariocas, e Célia e Jane Duboc interpretam inesquecíveis músicas de Vinícius de Moraes e seus parceiros – Tom Jobim, Toquinho, Francis Hime, Chico Buarque... bem, a lista é longa.

LIVRO no prelo

Além do espetáculo, Miele se dedica a escrever uma biografia, “Minha Vida é um Show”, na qual vai relatar encontros com pessoas do meio artístico. Evidentemente, terá um rico material fotográfico: são 66 anos de carreira em 76 anos de vida. Sim, isso mesmo.

“E ele (livro) vai começar justamente com uma foto minha aos dez anos de idade, ao lado do (ator mineiro) Grande Otelo, fazendo programa de rádio”, diz. E tem mais. Uma produtora paulista está fazendo um documentário sobre o craque do humor brasileiro, com o sugestivo nome de “Profissão Miele”.