São reflexões sobre as relações afetivas  que unem o textos do dramaturgo belo-horizontino Anderson Feliciano e do paulista Amarildo Felix, apresentados sessão de setembro da 6ª Edição do Janela de Dramaturgia, que acontece nesta quinta-feira (19) no Centro Cultural Banco do Brasil. "São  que problematizam e fazem um retrato sobre como as relações amorosas, afetivas e sexuais acontecem hoje, sobre como a gente anda vivendo e pensando nelas", explica o dramaturgo Vinícius Souza, um dos idealizadores do projeto.

Embora sejam semelhantes na temática, as obras lançam olhares sobre ambientes e acontecimentos distintos. "O texto do Anderson traz uma situação homoerótica, quase como uma troca de cartas entre dois homens que se amam. Já o do Amarildo, coloca em cena duas pessoas que se encontram via aplicativo para uma prática sexual pouco comum. Mas, no ato, eles começam a ter uma longa conversa, que revela não só os fetiches, mas a solidão", descreve Souza.

Ainda há no formado, particularidades de cada autor. O idealizador do projeto pontua que a obra do belo-horizontino é marcada por uma grande proximidade da narração e do lirismo. "Estamos acostumados com o texto teatral cheio de diálogos, mas na obra dele alguns trechos são narrações e outros são poéticos. Ele tem esse cuidado com a palavra. Ler o Anderson é se aproximar muito da poesia. Ele tem esse olhar poético sobre os acontecimentos do cotidiano", destaca Souza. Já nos escritos de Amarildo, ele observa um formato fragmentado e vertiginoso. "Ele tem uma habilidade com diálogos e com uma arquitetura textual. É como se ele cortasse toda a peça e embaralhasse para que o público fosse montando as poucos", diz.

Para além do contato com as obras, Souza ainda destaca a oportunidade de conhecer a atuação dos autores, que participam de um bate-papo ao final das apresentações. "O trabalho do Anderson tem se destacado muito, principalmente porque ele tem sido um grande ativista da arte negra em Belo Horizonte. Ir lá assistir à leitura do texto dele é também acompanhar o que ele vem desenvolvendo em dramaturgia na cidade", ressalta Souza, destacando também a estreia de Amarildo, que se apresenta um trabalho pela primeira vez na capital.

Continuação

Com uma programação mensal, que se estende até dezembro, Souza ainda ressalta a curadoria da edição, que tem um foco na diversidade dos autores e também geográfica. "Nas sessões sempre teremos um texto de Belo Horizonte e de outra região do país. Tentamos fazer com que vários lugares fossem contemplados", explica ele, pontuando que apenas a região norte ficou de fora.

Acontecendo há seis anos na capital e com a próxima edição já confirmada para 2019, o idealizador ainda sublinha a importância do projeto. "É um lugar que se propõe a dar voz para artistas de diferentes lugares. Várias pessoas se sentam para alguém ler uma história, apresentar um ponto de vista sobre o mundo. Esse tipo de situação hoje é de uma importância simbólica gigantesca, porque estamos em um tempo que temos visto, ouvido e vivenciado uma extrema intolerância e impaciência. Nesse sentido, o 'Janela' se configura como um lugar de escuta", afirma.

SERVIÇO

Leitura dos textos “Amor Fast-food”, de Amarildo Felix e  “Pequeno Tratado Amoroso”, de Anderson Feliciano, nesta quinta-feira às 19h no CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450 - Funcionários). Após a apresentação, bate-papo com os autores. Entrada gratuita. Veja a programação completa em www.janeladedramaturgia.com