Para alguém como eu, escrever um diário traz uma sensação muito estranha. Não só porque nunca escrevi, mas suponho que no futuro nem eu nem ninguém se interesse pelos desabafos de uma menina de 13 anos”, registrou a garota Annelies Marie Frank (conhecida como Anne Frank) no dia 20 de junho de 1942, durante o período em que ficou confinada em um esconderijo em Amsterdã, para fugir da perseguição nazista.

Setenta anos após o fim da Segunda Guerra Mundial e a morte prematura de Anne Frank no campo de concentração de Bergen-Belsen, a Rocco Jovens Leitores lança “O Mundo de Anne Frank – Lá Fora, a Guerra”, de Janny van der Molen. O livro se debruça sobre a vida (curta) de Anne, narra sua infância, brincadeiras, amigas queridas, lar acolhedor e uma família carinhosa, histórias pouco conhecidas pelo público sobre a garota judia e seu diário impactante.

Ao mesmo tempo que acompanha o crescimento, a infância e a adolescência de Anne, a publicação faz um retrato fiel da Segunda Guerra tanto pelo olhar da esperta garota, quanto por informações históricas fornecidas pela autora.

Sonho de ser escritora

Quando escreveu a frase que abre esse texto (um ano antes de sua morte), Anne acreditava que teria um futuro e sonhava em ser escritora. E apesar de não imaginar o quanto seu diário, cadernos de frases e anotações atrairiam o interesse de milhões de pessoas diferentes ao redor do mundo, a sábia menina acreditava que seus registros se transformassem em documento histórico.

Com a chancela da Fundação Anne Frank, a autora Janny van der Molen (que vem ao Brasil para falar sobre o livro durante o evento literário “Café Amsterdã”, entre os dias 26 e 29 de agosto em São Paulo e de 1º a 3 de setembro no Rio) realizou um verdadeiro trabalho de pesquisa.

Riqueza de detalhes

Ela conheceu a casa da família Frank na Alemanha e o esconderijo usado entre 1942e 1944 em Amsterdã, conhecido como Anexo Secreto e hoje transformado em museu, visitou os campos de concentração de Westerbork, Auschwitz e Bergen-Belsen, realizou entrevistas e recorreu a diversas fontes, como documentos históricos e fotografias.

O livro é ricamente ilustrado com desenhos que retratam fatos da vida da protagonista, como ela e sua gata preta Moortje, junto da vó Holländer e escrevendo no quarto que dividia com a irmã mais velha Margot. Os delicados desenhos foram feitos por Martjin van der Linden. Além disso, o livro contém fotos de álbum de família e um desenho de uma suposta maquete do Anexo Secreto, mostrando os 14 cômodos do espaço onde Anne, familiares e outras pessoas ficaram confinadas.

À medida que guerra avança, os capítulos – nomeados por “brincadeira”, “família”, “guerra”, “normas”, “medo”, “diário”, “sobrevivência”, “paixão”, “traição” e “horror” – vão construindo a narrativa e revelando a personalidade encantadora da protagonista. Uma história real e trágica (re)contada com sensibilidade e de forma acessível para leitores de todas as idades.