Na tarde desta segunda-feira (11), na sede da Academia Mineira de Letras, foi realizada a sessão de apuração dos votos da eleição para a cadeira de número 5, vaga desde o falecimento da acadêmica Carmen Schneider Guimarães. O jornalista e escritor Humberto Werneck foi eleito com 33 votos.

Autor de "O Desatino da Rapaziadca", Werneck é o sexto sucessor da cadeira número 5, cujo patrono é José Maria Teixeira de Azevedo Júnior, sendo o fundador Amanajós de Araujo. A cadeira já foi ocupada também por Zoroastro Passos, Christiano Martins, Francisco Magalhães Gomes e Miguel Augusto Gonçalves de Souza.

Para o jornalista Rogério Faria Tavares, presidente da Academia Mineira de Letras, a eleição de Humberto Werneck faz justiça a um dos mais importantes escritores brasileiros. "Além de excelente jornalista e cronista talentoso, com presença frequente nos maiores jornais do país, Humberto Werneck escreveu livros fundamentais, entre os quais 'O desatino da rapaziada', que já é um clássico. Suas biografias de Chico Buarque e de Jaime Ovalle também são incontornáveis. A biografia de Carlos Drummond de Andrade, livro que está finalizando, será definitiva. Sua chegada à Academia é motivo de festa", comenta.

Humberto Werneck nasceu em Belo Horizonte, em 1945, e vive em São Paulo desde 1970. Cursou, em Belo Horizonte, a Escola 12 de Dezembro (1952-1955), o Colégio Estadual de Minas Gerais (1956-1964) e a Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, onde se bacharelou em 1969. Foi aluno do Institut Français de Presse, da Universidade de Paris II (1973-1975). Começou no jornalismo no Suplemento Literário do Minas Gerais, atendendo ao convite de Murilo Rubião. Já trabalhou no Jornal da Tarde, Veja, Jornal da República, IstoÉ, Jornal do Brasil e Elle. Foi correspondente do Jornal da Tarde em Paris (1973-1976). Atualmente é Editor sênior da revista de livros Quatro Cinco Um, Editor do Portal da Crônica Brasileira, do Instituto Moreira Salles, desde a sua criação, em setembro de 2018, e cronista licenciado do jornal O Estado de S. Paulo, onde publicou semanalmente de dezembro de 2010 a dezembro de 2020.

Publicou, entre outras obras, “Sonhos rebobinados”, crônicas, Arquipélago Editorial (2014); “Esse Inferno vai acabar”, crônicas, Arquipélago Editorial (2011); “O Espalhador de Passarinhos”, crônicas, Dubolsinho (2010); “O pai-dos-burros — Dicionário de lugares-comuns e frases feitas”, Arquipélago Editorial (2009); “O santo sujo – A vida de Jayme Ovalle”, Cosac Naify (2008); “Pequenos fantasmas”, contos, Novesfora (2005); “O desatino da rapaziada”, onde retrata a relação dos jornalistas e escritores mineiros com os jornais locais, Companhia das Letras/IMS (1992); “Tantas palavras”, reportagem biográfica - edição revista e ampliada de Chico Buarque letra e música (2006).  Como editor, organizou pela primeira vez em livro a poesia de Hélio Pellegrino - “Minérios domados” (1993); “A revista no Brasil” - primeira História das revistas no país (2000); a antologia “Boa companhia – Crônicas” (2005); e a obra do contista Murilo Rubião, nos volumes “O pirotécnico Zacarias”, “A casa do girassol vermelho” (2006) e “O homem do boné cinzento” (2007).