A julgar pela quantidade de adolescentes enlouquecidos e barulhentos que lotaram as pré-estreias em salas de cinema de seis capitais do Brasil, "É Fada", estrelado por Kéfera Buchmann, 23, vai ser sucesso de bilheteria.

Mas, aqueles que não fazem parte da legião de fãs da atriz e youtuber -ela reúne cerca de 30 milhões de seguidores nas redes sociais- não precisam criar grandes expectativas. A trama batida e recheada de atores globais poderia ser mais um episódio da série "'Malhação", só que estendido e com palavrões.

Baseado no livro "Uma Fada Veio me Visitar", de Thalita Rebouças, o filme traz a história de Geraldine, uma fada desbocada e desastrada que perdeu as asas ao falhar em uma missão. Sua chance de recuperar o prestígio com a chefia é se sair bem na tarefa de ajudar Júlia (Klara Castanho) a ser aceita na escola.

De origem humilde, a menina passa por dramas universais da adolescência -bullying das patricinhas, paixonites, conflitos com a mãe. A diferença é que ela tem os conselhos furados e os métodos questionáveis de Geraldine.

A sintonia das duas em cena ajuda a alavancar um roteiro previsível. O talento de Klara Castanho -que, aos 16, soma no currículo cinco novelas-, conversa bem com o jeitão escrachado de Kéfera.

Aliás, quem a acompanha nas redes sociais reconhecerá suas caras e bocas. Geraldine, "a fadona", carrega características da própria youtuber, como o sarcasmo, a língua solta e as caretas. Isso não diminui, porém, seu mérito artístico. A atriz, formada e com DRT, se sai bem na telona.

Embora simpático, "É Fada" não surpreende. Por outro lado, escancara a capacidade de Kéfera de se comunicar com os jovens. Fenômeno na internet, ela também deve vender muitos ingressos. Portanto, não será surpresa se aparecer outras tantas vezes nos cinemas.

É FADA
DIREÇÃO Cris D'Amato
ELENCO Kéfera Buchmann, Silvio Guindane, Klara Castanho
PRODUÇÃO Brasil, 2016, 12 anos
QUANDO em cartaz
AVALIAÇÃO ruim