Desenvolvido com o apoio do Teatro Espanca, o espetáculo 'Banzo', do multiartista Kiandewame Samba, traz em cena o desassossego e o estado de espírito das pessoas pretas durante o tráfico transatlântico para as diásporas. A apresentação on-line e gratuita acontece neste sábado (25), às 19h, dentro da 5ª edição do Arte no Centro. 

O trabalho é resultado da residência artística do multiartista no espaço cultural Teatro Espanca. Para assistir ao espetáculo, acesse o canal do Espanca no YouTube:

Para Kiandewame, desenvolver 'Banzo' em parceria com o Teatro Espanca, depois de tanto tempo de pandemia com os espaços culturais fechados, significa não estar sozinho: “Está acontecendo em um momento muito oportuno, foi um processo de parar com tudo e agora, poder ir ao Espanca me preparar fisicamente, criar e colaborar está sendo incrível, me sinto acolhido”, afirma.

Alexandre Sena, um dos organizadores do Espanca, explica que a parceria criativa é um processo de maturar as ideias e aprofundar na proposta que o artista enviou no chamamento público. Para ele, é preciso viabilizar experimentos de pessoas negras, periféricas, LGBTQIA+: “é a gente fazendo, no sentido de acessar outros agentes. O Arte no centro, como um todo, é se colocar em lugar de construção e dúvida. Construir vem da dúvida e não das certezas, é importante se jogar no desconhecido compartilhado”.

'Banzo', segundo seus realizadores, é um estado de espírito que se desenvolveu nas almas de pessoas pretas durante o tráfico transatlântico para as diásporas. Um desassossego espiritual cruel que assolava e assolam a existência negra pela tortura, fome, dor, a saudade de casa, tristeza e o não pertencimento - acarretando a morte.

O causador dessa ruptura ainda opera e permanece nas estruturas de opressão, atormentando o negro pelo racismo, a falta do espírito cristão, maus condições de vida, econômicas, levando a acreditar na sensação de "conforto" mantendo sua alma nas mãos de obra branca. O espetáculo propõe trazer uma analogia dos efeitos da escravidão e o racismo, através do sequestro não apenas de nossos corpos mais da alma, da ruptura da terra, do poder das palavras modificadas , das negociações do negro como mercadoria e as mudanças de estado corpóreo para manter a hierarquização do esquecimento. A proposta cênica carrega a pesquisa de palavras do tronco etnolinguístico Bantu que compõem o espetáculo.

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