Língua de fora: Orquestra Ouro Preto homenageia a banda de rock Rolling Stones

Paulo Henrique Silva
phenrique@hojeemdia.com.br
08/08/2021 às 10:59.
Atualizado em 05/12/2021 às 05:37
 (IRIS ZANETTI/DIVULGAÇÃO)

(IRIS ZANETTI/DIVULGAÇÃO)

Quando Rodrigo Toffolo afirma que é a hora de a Orquestra Ouro Preto botar a língua de fora, em referência à banda Rolling Stones, dá até para imaginar o maestro fazendo o sinal do rock’n’roll com as mãos (os dois dedos em forma de chifres) do outro lado da linha. Na adolescência, nos anos de 1990, ele saía das aulas de violino com o discman ligado, ouvindo músicas que não tinham muito a ver com Mozart ou Bach.

Essa diversidade é a marca da orquestra, que, após promover releituras de Beatles e A-Ha, mergulha, neste domingo, no repertório da banda inglesa que influencia gerações há 60 anos. E, para quem já enveredou pelo quarteto de Liverpool com tanto sucesso, não poderia deixar de fora a rebeldia dos Stones de fora. “É discussão bem saudável”, registra Toffolo, ao comentar a disputa de preferências entre as bandas inglesas.

E para não aumentar ainda mais a polêmica, ele buscou apresentar uma seleção representativa dos principais discos do grupo de Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charles Watts. Entre as músicas estão “Satisfaction”, “Start me Up” e “Miss You”. “Os Rolling Stones têm uma obra icônica e buscamos fazer um painel para as pessoas nos acompanharem e cantarem durante a apresentação”.

O espetáculo será transmitido às 20h30,  pelo canal da orquestra no YouTube. “É muito legal ver as pessoas interagindo com a gente de casa. Elas nos mandam vídeos em que soltam a voz”, observa. A expectativa de outra apresentação marcante já leva o maestro a pensar num álbum com as versões orquestradas.

A investida no pop rock tem obtido frutos surpreendentes. Os hits do grupo norueguês A-Ha, reunidos num concerto realizado em maio, “foram um sucesso gigantesco, incluindo espectadores do país da banda”. Para ele, a orquestra conseguiu construir uma futura discografia considerável.

Esse flerte não irá terminar no Rolling Stones. Toffolo adianta, para 26 de setembro, uma exibição baseada em Nirvana, banda americana de grunge. Na data, serão lembrados os 30 anos de “Nevermind”, um dos álbuns, por sinal, mas ouvidos no discman do maestro há duas décadas. IRIS ZANETTI/DIVULGAÇÃO / N/A

Guitarrista Rodrigo Garcia vê na banda de Mick Jagger um quê mais visceral, com músicas "gostosas de ouvir e dançar"

Rixa entre Beatles e Rolling Stones

Guitarrista na Orquestra de Ouro Preto, Rodrigo Garcia prefere não alimentar dúvidas sobre quem está no topo do rock mundial: Beatles ou Rolling Stones. Prova disso é que ele criou a banda cover Duo Rock, que reuniu canções dos dois grupos britânicos.

“Tem essa rixa, com as pessoas defendendo um ou outro. Na banda, brincávamos com isso de uma forma muito sadia. Na verdade, apesar de terem propostas diferentes, eles eram inspirados uns pelos outros”, afirma Garcia, uma mistura de Paul McCartney e Brian Jones.

Ele lembra de um episódio em que essas duas histórias se cruzaram, quando o grupo de Mick Jagger bateu na porta da gravadora Deca. “O executivo ficou famoso por dizer não aos Beatles, no início da carreira. E quando George Harrison soube dos Rolling Stones, alertou o empresário para não repetir o erro”.

Para Garcia, que também é integrante da Orquestra Mineira de Rock, os Beatles era mais artesanais, trabalhando as experiências sonoras com maior cautela e afinco. “Já o Rolling Stones tem um quês mais visceral, em que as execuções não são primorosas, mas, no melhor estilo bluesman, são gostosas de ouvir e dançar”.

O guitarrista destaca que as fusões criadas pela Orquestra Ouro Preto chamam a atenção porque reúnem estéticas e  lugares diferentes e arranjos exclusivos. “Quando feita pensando numa característica estética, a chance de ter sucesso é muito grande. O problema é quando fazem uma coisa artificial”. 

Rodrigo Garcia está tendo uma participação ativa na preparação do concerto baseado em Nirvana, marcado para setembro. Vale até mesmo sair em busca de uma guitarra semelhante ao que era usada por Kurt Cobain (a Jaguar 1965), vocalista que deu fim à própria vida em 1994.

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