O estímulo à produção de peças de curta duração já faz parte do cenário das artes cênicas em Minas Gerais há, pelo menos, duas décadas. Mas só com a criação do Microteatro La Movida, em 2017, baseado numa experiência espanhola, é que o formato ganhou um endereço em Belo Horizonte.

“Existiam projetos que abrem espaço para essas produções, como o ‘Cenas Curtas’, do Galpão, e ‘A-Mostra.lab’, mas não havia lugar para depois elas entrarem em cartaz. Muitas vezes tinham que ser aumentadas ou mesmo encerradas”, registra o coordenador técnico Marco Tulio Zerlotini.

Com a pandemia, o espaço localizado no bairro Floresta foi fechado, mas a iniciativa permaneceu de pé, sendo transferida para o mundo virtual. O desafio de repetir o mesmo caráter intimista marca essa segunda edição do “Microteatro.br”, com exibições até o dia 31 de julho.

“A gente tentou transmitir para o virtual um pouco dessa intimidade, primeiramente com os espaços que escolhemos para fazer as gravações das micropeças. E também com a parte técnica, com a proximidade do artista com a câmera”, explica Zerlotini.

Toda programação será apresentada gratuitamente no Instagram do espaço, sempre quintas e sextas, com sessões às 21h, 21h20 e 21h40. As apresentações da mostra infantil acontecem aos sábados, às 16h e às 16h20

No espaço da Floresta, as produções recebiam até 15 espectadores. Se o público agora será infinitamente maior (as peças ficarão disponíveis, gratuitamente, na plataforma por 30 dias após o término do evento), o uso dos dispositivos tecnológicos busca manter a ideia de exclusividade.

“A relação com o dispositivo não deixa de ser pessoal, escolhendo a forma como irei assistir, se no computador, na televisão ou no celular. As peças também buscam dar um caráter de ao vivo, embora algumas delas tenham buscado, nesta edição, desenvolver um trabalho de linguagem”, analisa.

Diferentemente do ano anterior, em que os trabalhos estavam previstos para ganhar apresentações presenciais, vendo-se obrigados a migrarem para o virtual com o início da pandemia, a seleção dessa segunda edição já se adequou ao formato digital.

“Isso impactou no número de inscrições, com a multiplicidade de dispositivos permitindo um maior volume de produções”, salienta o coordenador. Foram escolhidas 16 micropeças, sendo quatro delas infantis – reunidas pela primeira vez no projeto.

“Desde quando o La Movida surgiu, havia essa demanda, com os espectadores querendo levar filhos e sobrinhos para curtirem a experiência. Nesta edição priorizamos isso e colocamos na convocatória”, explica. Entre as peças estão duas contações de histórias, um teatro de bonecos e um musical.

Outra preocupação desta temporada é a busca de diversidade. Ao contrário de outras edições, em que trataram de temas específicos, a organização focou no diálogo com formas diversas, abrindo espaço para obras cômicas, dramáticas, que usam máscaras e bonecos e shows que primam pelo trabalho cênico.

Apesar da reabertura de algumas casas de espetáculos, o La Movida ainda pretende usar o bastante o meio virtual. Até porque, segundo Zerlotini, não se trata de um simples modismo. “O digital veio para ficar e cabe a nós fazer essa adaptação da melhor maneira possível. É uma realidade que vai nos acompanhar como artistas e produtores de teatro”, avisa.