São duas coisas que deveriam acabar imediatamente, na avaliação de Leandro Hassum. Uma delas é o coronavírus. A outra é a inclusão de passas no arroz, prato polêmico das ceias de Natal. “Não faz o menor sentido pegar uma fruta, que é doce, e esperar ela estragar para misturar no arroz”, protesta.

A afirmação, feita em tom de humor (pelo menos no que se refere à uva passa), está relacionada ao personagem de Hassum no filme “Tudo Bem no Natal que Vem”, que será disponibilizado hoje na Netflix. Na trama, ele pula de um dia de Natal a outro, sem lembrar de nada que fez no resto do ano. 

Produzido pelo mineiro André Carrera, que trabalhou com Hassum em “O Candidato Honesto”, o longa-metragem traz para o Brasil uma antiga tradição americana: a exibição de histórias natalinas com pitadas edificantes no último mês do ano. Além de “Tudo Bem...”, estreia hoje nos cinemas “10 Horas para o Natal”.

Para o comediante, é preciso muita coragem para lançar um filme deste gênero numa época tão atípica, em que a pandemia continua a ser o inimigo número um no mundo. “Acho que estamos fazendo um carinho nas pessoas, mandando uma mensagem muito bonita sobre o que é realmente o espírito de Natal”, destaca Hassum. 

Não se trata, frisa, de mera reprodução do modelo americano. “É o nosso Natal, o que o brasileiro vive. É o Natal do verão, do calor, do suor, da fila e daquela briga em família em que, passado um tempo, todo mundo já está se beijando. O brasileiro é tão festeiro que comemora nos dias 24 e 25”, registra.

Entre os filmes de Natal preferidos do ator estão comédias como “Férias Frustradas de Natal”, “Um Duende em Nova York” e “Esqueceram de Mim”

A esta altura, lembra, numa passagem por restaurantes e churrascarias, não seria difícil ouvir de uma das mesas a frase “meu amigo oculto é...”, típica das confraternizações de empresas. “(Por causa da pandemia) Vamos ter um Natal diferente, em que a gente vai aprender a valorizar mais a presença do outro. Nada substitui o presencial”.

Hassum, por sinal, odeia frases como “estar se reinventando” e “novo normal”, comuns nestes tempos de isolamento. “Ninguém está se reinventando. Estamos apenas trazendo mais armas para o nosso arsenal. Não é ‘novo normal’ ter educação e higiene e respeitar os mais velhos. São legados que podemos enxergar pelo lado positivo”.

Ele pondera que, sem cultura, teríamos enlouquecido em nossas casas. “Diferente da gripe espanhola, em que as pessoas tinham que ficar olhando para as caras das outras. No máximo, liam um livro”, compara Hassum, que acompanhou a pré-estreia do filme, na noite de terça. “Estava nervoso. Parecia que iria estrear uma peça”.

Como não poderia deixar de ser, o comediante improvisou bastante no set, perceptível no resultado final. “Sou um ator do improviso, mas gosto de fazê-lo em cima de um texto bom. Se chutar para fora, deixa de ser improviso e vira gracinha. Ele só é bom quando acrescenta à história e faz com que o filme ande”, afirma Hassum.

Veja o trailer: