Seis décadas de vida, sendo quatro delas dedicadas à música. Para continuar inquieto e curioso em relação à vida, Lenine, uma das atrações de amanhã do projeto “Mano a Mano”, ao lado de Dudu do Cavaco e Orquestra Sesiminas, sempre dirige a si mesmo três perguntas: o que você faz? Por que você faz? Para quem você faz? 

Ouça a entrevista com Lenine:
 

“O que eu faço? Sou compositor, cronista do meu tempo. Por que eu faço? Faço porque é maior do que eu, porque é uma necessidade e uma paixão. Para quem eu faço? Ah, faço para mim, para os meus e para posteridade, por achar que é um depoimento temporal da minha passagem por este planeta”, registra o cantautor ao Hoje em Dia.

É com esse frescor que ele encara a cada vez mais frequente parceria com a música clássica. Há dois anos, em Belo Horizonte, o artista recifense subiu ao palco do Palácio das Artes para se apresentar ao lado da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. Amanhã, estará ao lado da Orquestra de Câmara Sesiminas. 

“É um grande orgulho ver as minhas canções passeando em tantas orquestras pelo Brasil e pelo mundo”, salienta Lenine. 
Para o artista, o encontro entre as músicas popular e erudita “é uma ponte e, melhor do que tudo, uma possibilidade de conjugar a música sem a necessidade de adjetivos. Isso é bom para tudo. É bom para a música, de maneira geral”.

Pilar da MPB
Na primeira parte do show, Lenine e Dudu do Cavaco homenagearão autores nordestinos, como Luiz Gonzaga, Dorival Caymmi, Hermeto Paschoal, Sivuca e Jackson do Pandeiro. 

“Jackson, sem dúvida nenhuma, foi e é um dos pilares da música popular brasileira contemporânea. Claro que ele não poderia faltar nesta homenagem, assim como Gonzaga”.

No segundo bloco, a Orquestra Sesiminas comanda a parte instrumental, mantendo o conceito do show, mas agregando nomes eruditos como Claudio Santoro, Guerra Peixe Ernani Aguiar e Villa Lobos. Na terceira parte, Lenine e Orquestra se voltam para o repertório do cantautor, percorrendo os principais sucessos.

Dudu do Cavaco e Lenine não se conheciam pessoalmente. Segundo o pernambucano, que ganhou o Grammy Latino deste ano pelo álbum “Em Trânsito”, esse encontro se dará da melhor maneira: “fazendo música”.
Dudu é um exemplo de que um portador da Síndrome de Down só precisa de oportunidade para ter o talento reconhecido.

SERVIÇO
Projeto “Mano a Mano” – Com Lenine, Dudu do Cavaco e Orquestra Sesiminas. Sábado (23), às 21h, no Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube (Rua da Bahia, 2244 - Lourdes). Ingressos: R$ 15 (meia) e R$ 30 (inteira)