O 1º Festival Literário Internacional de Belo Horizonte (FLI-BH) tem grandes nomes da literatura nacional e estrangeira confirmados para o evento, que acontece de 25 a 28 de junho, na capital mineira. Os escritores brasileiros Milton Hatoum – que fará a conferência de abertura – Maria Esther Maciel e Eric Nepomuceno estão entre as presenças anunciadas, ao lado do mexicano Juan-Pablo Villalobos e do colombiano Santiago Gamboa, da nova geração da literatura latino-americana.

O homenageado desta primeira edição é o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), que publicou “Alguma poesia” (1930), marco do modernismo, quando morava ainda em Belo Horizonte.

O tema do evento será “Imagina o Mundo, Imagina a Cidade”. A partir dele, várias atividades serão desenvolvidas em oficinas, palestras, exposições, saraus, performances, apresentações de teatro e sessões de cinema. O palco principal é o Teatro Francisco Nunes e o próprio Parque Municipal, que abriga a casa de espetáculos, além de espaços públicos espalhados por toda a cidade. Antes, em abril, haverá um aquecimento, com a participação do ilustrador Javier Zabala.

O festival, que foi oficialmente lançado ontem, na Academia Mineira de Letras, terá como curadores os jornalistas e escritores Leida Reis (editora executiva do jornal Hoje em Dia), Afonso Borges (idealizador e produtor cultural do Sempre Um Papo e colunista do Hoje em Dia) e Beatriz Hernnanz, diretora do Instituto Cervantes, ponta de lança da cultura espanhola.

Para Leida Reis, com a iniciativa, a cidade preenche uma lacuna. “Belo Horizonte tem ficado conhecida por festivais de cultura, como o FIT (Festival Internacional de Teatro) e o FAN (Festival de Arte Negra) que colocam a cidade no cenário de promoção da cultura e a ocupação do espaço urbano em favor da cultura. Mas faltava a literatura, já que temos grandes escritores de décadas atrás e de hoje; faltava esse festival para reunir e discutir literatura”, afirma. Ela diz que o festival não vai atuar de forma isolada, mas com a pretensão de manter diálogo com outros movimentos que promovam a leitura na cidade.

Afonso Borges propõe, entre outras coisas, a realização de um mapeamento dos itinerários dos escritores em Belo Horizonte, o que demanda pesquisa. “Onde eles moravam, seus caminhos pela cidade. É preciso do envolvimento da sociedade”, frisa. Ele diz que, durante o festival, será feita uma parceria entre o argentino Daniel Mordzinski – considerado o fotógrafo dos escritores – e o colombiano Gamboa para a criação de texto e fotos sobre Belo Horizonte. Mordzinski irá fotografar os escritores mineiros.

O recorte desta edição do festival – que pretende ser anual – contempla a literatura latino-americana, movimento percebido pelos curadores.

O 1º FLI-BH tem a preocupação da inclusão social, permitindo o acesso às pessoas das diversas camadas sociais da cidade. Como lembra o presidente da Fundação Municipal de Cultura, entidade criadora e gestora do festival, Leônidas Oliveira. Assim, serão realizadas atividades nos centros culturais das regionais e espaços da cidadania da PBH. “O festival será o coroamento dessa política que transformou Belo Horizonte na cidade que mais lê no país, segundo pesquisa feita ano passado”, diz. O prefeito Marcio Lacerda (PSB) compareceu ao evento, que tem patrocínio da CBMM e apoio do Sesc.