Ditados e provérbios são usados com tanta naturalidade no nosso dia a dia que sequer paramos para pensar na expressão e no significado ao pé da letra. “Tirar o cavalo da chuva”, por exemplo, nasceu do costume do visitante amarrar a montaria na varanda da casa ou em local coberto a pedido do dono da residência quando a prosa era boa e demorada.

Do alto de seus 4 anos, Margarida, protagonista do livro “Cavalos da Chuva” (editora Cosac Naify) saiu à procura do tal animal quando escutou da mãe “pode tirar o cavalinho da chuva”. A expressão foi citada porque a menina queria pintar as unhas de azul. Claro que Margarida não encontrou cavalinho algum, tampouco pônei nem qualquer outro animal de quatro patas lá fora, tirando um cachorro invisível da vizinhança que latia para passar o tempo. E para completar, nem chovia de verdade. Só caia uma garoa.

Inspiração

“Cavalos da Chuva” é o segundo livro infantojuvenil do jornalista, músico e escritor Cadão Volpato, que construiu a personagem inspirado em Daniela, com quem é casado. “A Dani me contou a história de procurar o cavalinho na chuva por um acaso. Imediatamente, pensei: isso dá um livro. A personagem crescendo e meio que se confrontando com as coisas do mundo masculino...de certa forma é um livro feminista”, brinca o autor, que considera a publicação com linguagem elaborada. Ou seja, “Cavalos da Chuva” é para ser lido por adultos e crianças.

A publicação é uma espécie de novela que acompanha a vida de Margarida desde menina até a vida adulta. O provérbio que dá origem ao livro é também o fio condutor dos acontecimentos e, de uma forma ou de outra, revela a paixão da protagonista por um animal que não é de estimação, mas atiça a imaginação: o cavalo.

Margarida conversa por telepatia com os animais que admira. Começou com um diálogo com Mister Ed, o cavalo do jóquei. Depois, vieram o cavalo do verdureiro e o pangaré anônimo. Alguns outros diálogos aconteceram com um unicórnio do tapete, um pônei deixado na estrada e até com um cavalo de madeira do carrossel. As conversas sempre eram sobre a vida e o sentido de estar no mundo, coisas que inquietavam a menina Margarida.

Melancólico e ao mesmo tempo engraçado, o livro é acompanhado por oito postais, álbum da personagem e obra do ilustrador Felipe Guga, que utilizou recortes e colagens de revistas dos anos 1950 a 70.