Quando o diretor mineiro Quiá Rodrigues foi ao Festival de Cannes para apresentar a animação “De Janela pro Cinema”, em 2000, a correria para voltar para o Brasil o fez esquecer o boneco do ator Grande Otelo (também mineiro), um dos personagens do filme, no banheiro do aeroporto.

Confundido com uma bomba pela polícia francesa, ele foi explodido. Curiosamente, sete anos antes, o ator de carne e osso havia sofrido um infarto no mesmo aeroporto.

O MUMIA é tema de artigo do professor Maurício Gino, que foca na exibição de filmes em telas urbanas, a partir da fachada no Espaço do Conhecimento, na Praça da Liberdade

“Otelo morreu duas vezes!”, brincou Rodrigues num post recente, para comentar o lançamento do livro “Diversidade na Animação Brasileira”, em que “De Janela pro Cinema” tem um capítulo especial. Organizada por Sávio Leite, animador e organizador do festival MUMIA – Mostra Udigrudi Mundial de Animação, em BH, a publicação será lançada no próximo domingo, durante a 22ª Mostra de Cinema de Tiradentes, na cidade histórica.

A diversidade do título, explica Leite, está mais na possibilidade de lançar luz a ensaios e teses sobre a animação produzida no país do que propriamente reunir um estudo sobre a questão do gênero presente nestes filmes. “O livro nasceu da vontade de reunir vários textos que estavam quase invisíveis e que são importantes para registrar o desenvolvimento da animação do pais”, ressalta o organizador, citando o boom da técnica no Brasil nos últimos anos.

Diversidade na Animação Brasileira

Após “Uma História de Amor e Fúria” e “O Menino e o Mundo” ganharem Annecy, principal festival no mundo dedicado à animação, e, no caso do segundo, surgir entre os indicados do Oscar, a produção nacional virou referência. No livro, além de artigos que refazem a trajetória da técnica, há entrevistas com vários realizadores que contribuíram para o momento, como Andrés Lieban (“Meu AmigãoZão”) e Wesley Rodrigues (“Faroeste: um Autêntico Western”). 

Leite é leitor voraz de entrevistas e recorreu ao formato para entrevistar alguns dos diretores prediletos. Fez um livro que ele, fundamentalmente, gostaria de ler. “Não é perfeito, tenho certeza, mas creio que ajuda a criar diálogo sobre temas que não são tão falados. O que não falta é assunto: daria para lançar mais uns 30 livros”, diz.

Leia mais:

Festival Planeta Brasil comemora 10 anos de música muito boa no Mineirão

Raimundos abre turnê comemorativa de 25 anos do primeiro disco em Belo Horizontes

Ney Matogrosso retorna mais roqueiro e com figurino único