O futebol já anda acelerado, exigindo muito preparo físico dos jogadores, mas quando é para contar a sua história, como resumir um século de uma grande paixão mundial em poucas páginas? “Estamos falando de uma arte milenar”, corrige Márcio Trevisan, autor do livro recém-lançado “A História do Futebol para Quem Tem Pressa”, da editora Valentina.

“A primeira vez que se chutou uma bola ou algo parecido com ela remonta há 2.500 anos antes de Cristo. Não era bem uma bola, mas a cabeça dos soldados que perdiam as batalhas”, diz o jornalista esportivo, que não esconde a dificuldade em colocar anos de alegrias e sofrimentos em apenas 200 páginas – única exigência, por sinal, da editora.

“De resto, foi tudo comigo”, diz Trevisan, já assumindo a responsabilidade ao elencar os 50 mais importantes jogadores e treinadores brasileiros e estrangeiros. “Foi como cortar na carne. Muito difícil, especialmente no caso do futebol brasileiro. Acabei tendo que deixar muita gente boa de fora”, lamenta.

Dentre os critérios estabelecidos pelo autor, estão participações em Copas do Mundo e títulos nacionais. Mesmo assim, não foi tarefa das mais fáceis. Ele lembra que, entre Celso Roth e Renato Gaúcho, dois técnicos que ganharam a Copa Libertadores em clubes arquirrivais (Roth no Internacional, Renato no Grêmio), prevaleceu o conjunto da obra do segundo.

Polêmicas à parte, Trevisan buscou ser, segundo ele, conciso sem deixar escapar nenhum detalhe importante. Com um caráter mais informativo, o livro seria voltado tanto para leigos quanto para apaixonados. “Quem nunca se interessou pelo assunto vai poder entender a razão de o futebol ter se tornado essa paixão no mundo inteiro”, salienta Trevisan.

Não faltou nem mesmo um item que passou a fazer parte do espetáculo recentemente: o VAR. O árbitro de vídeo, implantado no Campeonato Brasileiro, surgiu para acabar com os erros crassos na arbitragem. “Já fui assessor de imprensa do Sindicato dos Árbitros de Futebol de São Paulo e o que existe é uma falta de qualidade quase total. Mesmo com o VAR, conseguem errar. O problema é que estão dando muito poder para quem está na cabine”, analisa.

Ele encontrou espaço também para falar de discriminação. O Palmeiras, time do coração de Trevisan, levou 40 anos para escalar um jogador negro. “O futebol era elitista e pobre passava longe. Uma história que não contei no livro foi a origem do apelido do Fluminense, chamado de pó de arroz depois que passaram essa maquiagem num jogador que era muito bom, porém negro”.

O futebol feminino, que teve grande audiência neste ano com as transmissões dos jogos da Copa do Mundo, não entrou no livro. “Não ignorei as mulheres. É questão de espaço mesmo. Ficaram de fora o Campeonato Brasileiro de Seleções, que era uma loucura até os anos 50, e os mundiais sub-15, sub-17 e sub-20. Quem sabe, numa segunda edição, eu coloque tudo que não falei?”, anima-se.